Publicado em: 05/11/2008 - 17h50min
Elas vão participar, também, da divulgação do documentário “Mataram Dorothy Stang”, onde retrata o último julgamento do fazendeiro, Vitalmiro Bastos de Moura, acusado de ser o mandante do assassinato da missionária, condenado a 30 anos de prisão em 2007 e absolvido em 2008.
“O que aconteceu com Dorothy é apenas um exemplo da violência e da impunidade no Pará", disse Rebeca Spires.Para o presidente da OAB absolvição do acusado de assassinar a irmã Dorothy é um estímulo à impunidade e para que crimes assim continuem acontecendo.
Dorothy trabalhava no Pará, na defesa da Floresta Amazônica e dos agricultores sem terra e integrava o Projeto de Desenvolvimento Sustentável (PDS) no município de Anapu. A missionária é conhecida mundialmente na luta contra o desmatamento e à grilhagem de terras no Brasil.
O objetivo das irmãs, que vivem há mais de 30 anos no Pará e pertencem a mesma congregação de Dorothy, Nossa Senhora de Namur, é levar à sociedade a situação de violência existente no Estado. A exibição do filme e a divulgação do documento, em todo o país, cumprem este papel. “Nossa irmã Dorothy acreditava muito nas instituições brasileiras. Nós aprendemos com ela e queremos desafiá-los a agir”, disse Rebeca.
No documento-denúncia são relatados vários casos de execuções sumárias, massacres, violência sexual, ocorridos no Pará, muitos cometidos pelo próprios agentes de segurança. Os fatos descritos mostram a realidade do campo e da cidade no Pará. Na apresentação do relatório está escrito: “tanto nos crimes de encomenda (que envolvem conflitos de terra) como nos da cidade, que resultam em conflito direto, reina a impunidade”,
Um dos casos relatado é o assassinato do presidente da Associação dos Pequenos e Médios Agricultores de Eldorado dos Carajás e sua esposa Alcina Gomes Barbosa. Segundo o documento, os dois teriam sido mortos a mando de um fazendeiro e um empreiteiro local, devido a uma disputa por terras na região. O processo, atualmente, está suspenso em função do desaparecimento dos acusados do crime.
O filme, dirigido pelo norte-americano, Daniele Junge, recebeu o Prêmio do Público e Grande Prêmio do Júri no Festival South by Southwest 2008. Em Brasília pode ser assistido de hoje (5) até domingo (9), nas salas de cinema da Academia de Tênis, durante o FIC. No Pará só será exibido em janeiro, durante o Fórum Social Mundial.
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