Portugueses passam a deter 100% de vinícola brasileira
Publicado em: 04/11/2008 - 15h04min
A Global Wines/Dão Sul, com sede em Carregal do Sal (centro de Portugal), é atualmente detentora da totalidade do capital da vinícola brasileira ViniBrasil, depois de ter comprado as porcentagens dos seus antigos dois sócios.
Casimiro Gomes, da Global Wines/Dão Sul, disse à Agência Lusa que o negócio foi concretizado em junho, com a compra, por dez milhões de euros (R$ 27,6 milhões, no câmbio atual) dos restantes dois terços do capital, que pertenciam à Expand (maior importadora sul-americana de vinhos) e ao grupo Raymundo da Fonte (o proprietário da fazenda do Vale de São Francisco, em Pernambuco, no nordeste brasileiro).
Na base do negócio, que só agora foi divulgado, esteve, segundo Casimiro Gomes, a falta de percepção dos dois sócios de que "o vinho é um setor onde tem que se investir a longo prazo".
"Os nossos sócios, ao fim de cinco anos, perguntaram: 'então isto ainda não dá lucro?'. É a visão curta de investir num setor que é de longo prazo", lamentou.
O projeto da ViniBrasil é considerado inovador, por adaptar fisiologicamente a videira a condições tropicais onde a biografia científica considerava não ser possível produzir vinho, atendendo ao clima semi-árido e à latitude (paralelo 8).
No entanto, segundo Casimiro Gomes, neste setor o que custa "não é pôr uma vinha a fazer bons vinhos ou instalar uma adega tecnológica", mas sim que "as marcas tenham depois capacidade de retornar o investimento feito".
"Nós costumamos dizer que o que custa mais nesta atividade do vinho são os primeiros cem anos, é fazer marca", destacou.
O presidente da Dão Sul, que produz vinhos em várias regiões de Portugal, explicou que, "mais do que venda do líquido que está dentro da garrafa, que tem de ser bom seja em que parte do mundo for", o trabalho que tem vindo a ser feito no Brasil é no sentido de levar a marca Rio Sol "a ocupar espaço".
"O líquido tem que ser bom, depois o importante é a comunicação", considerou, contando que, nesse sentido, todos anos têm sido levadas entre 300 a 400 pessoas à fazenda do Brasil, onde têm 129 trabalhadores.
Casimiro Gomes adiantou que a Global Wines/Dão está pensando em "internacionalizar mais a empresa ao nível da produção".
"Queremos partilhar, comprar ou fazer projetos de produção de vinhos noutros países. Não está ainda bem definido em qual, mas provavelmente será na Europa", acrescentou.
Em Portugal, a Dão Sul (que é 100% da Global Wines), tem fazendas no Dão (Quinta de Cabriz, Quinta dos Grilos e Casa de Santar), no Douro (Quinta Sá de Baixo e Quinta das Tecedeiras), na Bairrada (Quinta do Encontro), na Estremadura (Quinta do Gradil) e no Alentejo (Herdade Monte da Cal).
Os quatro sócios - Casimiro Gomes, Carlos Lucas, Joaquim Almeida e Joaquim Coimbra - praticam uma política diferenciada em relação ao que é habitual, nunca tendo remunerado o capital em 20 anos de atividade.
"Nunca remuneramos o capital e, por isso, é que o crescimento existe. Reinvestimos sempre tudo", realçou Casimiro Gomes.
Atualmente, o grupo reforça o investimento nas suas explorações, tendo este ano aberto a nova adega na Fazenda do Monte de Cal, no Alentejo, e há pouco mais de um mês, avançou com o projecto de enoturismo do Paço dos Cunhas de Santar, no deistrito de Nelas.
Casimiro Gomes adiantou que gostaria também de avançar para a região dos vinhos verdes "com um projeto novo" e reforçar a participação nos investimentos do Douro, mas garantiu que "não há pressas".