A tensão agrária que resultou no homicídio de três trabalhadores rurais no município de
Monte Santo (situado na região sisaleira) será foco da reunião que ocorre nesta terça-feira (04/11), no Salão Paroquial do município, às 14 horas. Estarão presentes o ouvidor agrário nacional adjunto, Desembargador João Pinheiro de Souza, o superintendente regional do Incra/BA, Luiz Gugé e membros do Conselho de Operações da Polícia Militar (Consop).
No dia 15 de outubro, os trabalhadores rurais Luís Alberto Antunes de Sousa e Josemar Neves Dias, que eram assentados no Projeto de Assentamento (PA) Senhora do Rosário, e Tiago Dias Andrade, que fazia parte do Projeto Fundo de Pasto (PFP) Capivara, reconhecido pelo Incra, foram vítimas de homicídio num acampamento do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST).
A reunião objetiva colher informações das comunidades das quais as vítimas faziam parte. Visa ainda expor as ações a serem adotadas, tanto pela ouvidoria, como pelo Incra/BA, para elucidar o crime e diminuir a tensão agrária na região.
Foram convidados representantes da Comissão Pastoral da Terra (CPT), do Movimento Estadual dos Trabalhadores Assentados, Acampados e Quilombolas da
Bahia (Ceta), do MST, da Federação dos Trabalhadores na Agricultura na
Bahia (Fetag/BA) e da Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras da Agricultura Familiar da
Bahia (Fetraf/BA).
Audiência públicaO cronograma a ser apresentado às comunidades inclui a realização de uma audiência pública com a presença da Ouvidoria Agrária Nacional (OAN) ainda neste mês. Antes da audiência, no dia 11, já está confirmada uma reunião no Ministério Público Estadual de
Monte Santo, com as presenças da Promotora de Justiça, Andréa Scaff, da delegada agrária da
Bahia, Giovane Bomfim e do delegado local, Josivâneo Rocha Araújo. Também participam a Ouvidoria Agrária Regional do Incra/BA e representantes da Comissão Pastoral da Terra (CPT).
Fundo de PastoAs comunidades tradicionais Fundo de Pasto estão inseridas no Sertão e possuem ocupação centenária. São comunidades que se formaram ocupando nas áreas de difícil acesso. As famílias vivem da criação de cabras e plantações de feijão e milho para a subsistência, em terras devolutas (pertencentes ao estado).