Publicado em: 30/10/2008 - 10h25min
Os produtores baianos sentem os efeitos da crise mundial que começou nos Estados Unidos. Além da redução do financiamento, a variação do dólar prejudica as exportações. O setor do agronegócio já começou a demitir funcionários.
A Bahia é responsável por 59% do que é exportado pela região Nordeste e os números mostram essa força.
De janeiro a setembro de 2007, as exportações baianas passaram dos R$ 5 bilhões. Este ano, no mesmo período, foram quase R$ 7 bilhões, mas ainda não é possível saber se com a crise mundial, esse crescimento vai se repetir no próximo ano.
Muitos exportadores estão apreensivos. Na região Norte, onde a safra atual de frutas já foi vendida para Europa e Estado Unidos, alguns contratos para o financiamento da próxima produção ainda não foram renovados pelos bancos.
No setor de couros, a situação é pior. Em alguns curtumes, contratos foram cancelados e as exportações já foram reduzidas em 40%.
'Se lá fora continuar ruim e aqui dentro, no mercado interno, não houver aquele aquecimento que normalmente existe, a gente não tem como segurar toda essa imensidão de trabalhadores aqui', prevê o diretor industrial João Carlos Lacerda.
No Oeste, a área plantada de soja deve continuar a mesma, mas a de algodão será reduzida em 3% por conta do alto custo.
Na região Sudoeste, responsável por 3% da produção nacional de café, os produtores esperam a situação se definir para fazer investimentos e pagar as dívidas da última colheita que ainda não foi vendida.
'As empresas estão se queixando porque enão estão conseguindo colocar os produtos lá fora', diz o cafeicultor Neviton Soares.
A produção de celulose no extremo sul do estado será 30 mil toneladas menor por conta da redução dos pedidos do mercado asiático. Numa fazenda, 57 trabalhadores que operavam motosserras foram demitidos.
Para o presidente do Centro Internacional de Negócios da Bahia, Ricardo Saback, a variação do dólar é o principal motivo de tanta instabilidade, mas os investimentos, segundo ele, devem continuar para fortalecer o mercado interno.
'Os nossos dois maiores parceiros, Europa e Estados Unidos, são o epicentro dessa crise, portanto a gente tem que trabalhar com um horizonte de diversificação de mercado para poder melhor colocar os nossos produtos', avalia Saback.
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