A produção da tradicional farinha branca da
Bahia, sucesso em todo o Brasil e até mesmo no exterior, já não é mais o principal produto derivado da mandioca que garante renda para 175 mil pessoas no Estado. A
Bahia é o primeiro estado do Nordeste a desenvolver com sucesso a tecnologia para elaboração da farinha temperada, que assegura um lucro maior para os pequenos produtores.
De acordo com o consultor do Sebrae/BA Manoel Calvão, enquanto o quilo da farinha branca é vendida a R$ 1,00, a temperada pode render R$ 5,00. Já o saco da farinha, com 50 Kg, é vendido a R$ 60,00 enquanto a temperada pode ser negociada por até R$ 250,00.
Manoel Calvão foi responsável pela capacitação de produtores de mandioca ligados à Cooperativa Mista dos Produtores Rurais do Sul da
Bahia (Comprus), em
Buerarema. Além da tecnologia para a produção da farinha temperada os produtores tiveram aulas de Boas Práticas de Manipulação de Alimentos e Higiene e Segurança no Trabalho.
Hamilton João dos Santos é um dos produtores capacitados pelo Sebrae/BA. Ele está percorrendo vários municípios do interior divulgando a farinha temperada. “Com o apoio do Sebrae estamos participando de feiras e eventos, onde fazemos a degustação da farinha temperada produzida na região de
Buerarema. Já me sinto um verdadeiro empreendedor. No final de julho montei uma barraca de degustação da farinha temperada na festa de aniversário de
Ilhéus e a aceitação foi boa. Já percorri várias cidades, como
Camacan e
Porto Seguro. Aos poucos as pessoas vão se acostumando com o novo produto”, conta Hamilton dos Santos.
Para produzir a farinha temperada e outros derivados da mandioca, o Sebrae/BA, em parceria com o Banco do Brasil, Governo Federal e Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA), inaugurou em junho, em
Buerarema, a Unidade Produtiva Paulo Ramos, uma casa de farinha totalmente mecanizada, já autorizada pela vigilância sanitária, que beneficia 35 associações rurais ligadas à Cooperativa Mista dos Produtores Rurais do Sul da
Bahia (Coomprus) em 17 municípios.
De acordo com Manoel Calvão, a unidade oferece condições de trabalhar com todos os subprodutos da mandioca, em especial a farinha temperada. Os ingredientes da farinha temperada, como o urucum, alho, cominho, salsa, pimenta de cheiro e cebola, são desidratados e com isso a farinha temperada tem uma validade de 4 a 6 meses.
"É importante deixar claro que a farinha temperada não é como a farofa que você faz em casa, sem tecnologia, e que tem uma validade máxima de três dias. É importante dispor da tecnologia e de uma unidade mecanizada, com a autorização da vigilância sanitária, como a de
Buerarema, em condições de produzir uma farinha de qualidade, que agregue valor e que possa ser vendida não somente em feiras, mas também nos grandes centros e que atenda às classes de maior poder aquisitivo”, diz Manoel Calvão.
Depois de capacitar produtores na
Bahia o consultor já levou a tecnologia da farinha temperada para o Rio Grande do Norte e o Pará. Segundo ele, na capacitação os produtores conhecem as quantidades certas de cada ingrediente, o que garante a durabilidade do produto. Além da tecnologia o consultor do Sebrae/BA também repassou aos produtores rurais da Coomprus a tecnologia para a produção de ração animal com a casca da mandioca.
“A casca da mandioca, que era jogada fora, agora está sendo usada para alimentar os animais. A casca é triturada e secada ao sol. Com o avanço da tecnologia de alimentos já estamos pensando em usar a casca da mandioca para fazer barras de cereais, adicionando mandioca, castanha e mel, sem a cevada e sem conservantes”, conta Manoel Calvão.
De acordo com o gestor do projeto de mandiocultura na região sul da
Bahia, Jefferson Lomanto, a produção de farinha na região sempre foi precária, mas agora, com a construção da nova casa de farinha, os produtores estão mais animados e confiantes com os resultados que já estão obtendo. O Sebrae realizou capacitações nas áreas de administração financeira, boas práticas de produção, associativismo e cooperativismo e diversificação na produção dos derivados da mandioca.
Ainda segundo Jefferson Lomanto, “o projeto de Mandiocultura da Microrregião de
Ilhéus e
Buerarema vem crescendo a cada momento devido ao forte comprometimento, reconhecimento e vontado do produtor. Hamilton João dos Santos é um exemplo: vivia endividado e, depois das capacitações do Sebrae, trouxe a família para
Ilhéus, alugou casa, comprou moto e pagou as dívidas. Os filhos estão na escola e ele já colocou dois pontos de venda em localidades diferentes em
Ilhéus, onde comercializa os subprodutos da mandioca”.