O ex-bancário e hoje apicultor Eliés Valverde Silva, morador de
Eunápolis, sul da
Bahia, aprendeu uma grande lição com as abelhas: a importância do trabalho coletivo para o sucesso de um empreendimento. Junto com a mulher e seus 11 filhos, dos quais oito são mulheres, ele administra a Apis Valverde, empresa que comercializa mel para os mercados de
Salvador,
Feira de Santana, cidades do extremo sul baiano e Santa Catarina.
A organização da empresa é semelhante à de uma colméia, com divisão de tarefas e responsabilidades. Dez pessoas se encarregam de diversos trabalhos. Mateus, filho mais velho, de 22 anos, é responsável pela área de produção da empresa, além de cuidar da alimentação das abelhas na época de escassez de floradas, entre outras atividades. No entreposto, a esposa Ivaneide administra as etapas de beneficiamento do mel com o auxílio das filhas.
O trabalho não afastou as crianças do ensino. Elas estudam em casa, pois vivem numa fazenda, isolados da cidade. Vão para
Eunápolis só para prestar os exames. Seis deles estão concluindo o ensino médio e a próxima etapa é o vestibular.
Eliés se encarrega da parte comercial e financeira da empresa, além de cuidar do escoamento da produção e de divulgar o produto nas diversas feiras promovidas pelo Brasil afora. “Não perco nenhuma feira do Sebrae. Acho que a parceria é importante para nossa atividade, seja com capacitação, seja com acesso a novos mercados”, destaca.
O mel da empresa dos Valverdes sai de
Eunápolis com o selo de certificação do Ministério da Agricultura. Eles começaram a atividade com três caixas e hoje a produção chega a 40 toneladas por ano.
A história da empresa começou em 2002, quando houve uma crise na agropecuária e o congelamento no preço do gado. Na mesma época, o empresário descobriu que o rebanho e os funcionários de sua fazenda eram atacados constantemente por um enxame de abelhas.
“Procurei a Ceplac – Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira - de
Eunápolis a fim de fazer um curso de apicultura e de lá fui encaminhado para
Itabuna, onde conheci o agrônomo e professor de apicultura Ediney de Oliveira Magalhães”, recorda Eliés, destacando que também recebeu o apoio do Sebrae para participar do curso.
Durante o treinamento, Eliés, a esposa e os filhos descobriram que as florestas de eucaliptos, em abundância na região, representavam um excelente potencial para a produção de mel. Além disso, havia na época uma procura grande pelo produto devido ao embargo da importação de mel da China pela União Européia.
Em 2004, a família tomou uma iniciativa audaciosa e construiu um entreposto de mel e de cera de abelhas com certificação do Serviço de Inspeção Federal (SIF). Em 120 dias, o prédio de 150 metros quadrados estava concluído. No primeiro bloco, estão o escritório, o almoxarifado, dois banheiros e vestiários. O segundo bloco envolve todo o processo de beneficiamento do mel: salas de recepção das melgueiras do campo, de centrifugação do mel, de decantação, envase e rotulagem, de embalagens novas, de estoque do mel e de expedição.
Eliés recorda que a apicultura começou a ser incrementada na região em 2003, quando foi promovido o I Seminário de Apicultura de
Eunápolis. Logo depois, surgiram alguns cursos de produção de rainhas e manejo avançado para produção de mel, também promovidos pelo Sebrae. “Isso foi muito importante para o aprimoramento do manejo e aumento da quantidade de enxames da família”, destaca o apicultor.