A raiz de mandioca possui teores variáveis de ácido cianídrico. A chamada 'raiz mansa' é apropriada para o consumo direto, por possuir menos de 100 mg da substância por quilo de raiz. Já a 'raiz brava', com mais de 100 mg por quilo, deve ser tratada para que o teor de ácido cianídrico seja reduzido. Para eliminar o excesso dessa substância, a raiz de mandioca é prensada para libera um liquido, a manipueira, que contém o ácido cianídrico.
A manipueira é tóxica e pode se tornar uma ameaça ao meio ambiente, se não for corretamente manipulada. O I Seminário Nacional sobre Manipueira reúne esta semana em
Vitória da Conquista, na
Bahia, produtores, técnicos e autoridades de diversas partes do País para discutir as melhores formas de manipulação dessa substância, sem causar danos ao meio ambiente nem prejuízos às casas de farinha. O seminário começou na terça-feira (2) e prossegue até quinta (4).
No primeiro dia, os participantes partiram em caravana para conhecer algumas unidades de casa de farinha da região. Palestras apresentam experiências de outros estados e regiões da
Bahia relativas à manipulação da manipueira. De acordo com o gestor local do Sebrae/BA, Lívio Moniz, o objetivo do seminário é buscar casos bem-sucedidos nessa área e colocá-los em discussão entre os produtores. “Buscamos experiências positivas e as mais diversas formas de tratamento da manipueira. Com isso, podemos analisar qual a ação que se encaixa melhor na nossa realidade”, afirma o gestor.
O coordenador geral do evento, Armínio Santos, estima que cerca de 500 pessoas, entre produtores, autoridades e técnicos sobre o assunto, participam do seminário. “Pessoas de diversas regiões do País se inscreveram para o seminário”, diz Armínio. Serão apresentadas experiências de sucesso do Ceará, Maranhão e Piauí.
A manipulação da manipueira ainda é uma dificuldade para os produtores da
Bahia. “Por conta do processo de casas de farinha ainda ser artesanal em muitas cidades, os produtores carecem de estrutura para a manipulação correta desse resíduo”, explica o agrônomo e coordenador de projetos do Sebrae, Eduardo Benjamin Andrade.
De acordo com ele, muitos estudos vêm sendo realizados, em todo o País, para disseminar boas práticas de manipulação da manipueira. Algumas alternativas já são apresentadas como, por exemplo, a utilização do resíduo para a fabricação de tijolos, na adubação da terra e até na produção de ração animal. “Se a manipueira for deixada de lado, ela pode se infiltrar em mananciais e trazer riscos ao meio ambiente e, consequentemente, à saúde da população”, alerta Eduardo, lembrando que se trata de uma substância extremamente poluente.
Para Izaltiene Rodrigues Gomes, presidente da Coopasub (Cooperativa Mista Agropecuária dos Pequenos Agricultores do Sudoeste da
Bahia), a expectativa é que o encontro consiga trazer soluções, através das experiências apresentadas, para o reaproveitamento da manipueira. “Além de contribuirmos para a não-poluição do meio ambiente, vamos também buscar alternativas de uso que possam gerar nova fonte de renda para os produtores”, afirma o presidente.
O I Seminário Nacional sobre Manipueira conta com a presença do superintendente do Sebrae, Edival Passos, do presidente da Fundação Banco do Brasil, Jacques Pena, do gerente regional do Banco do Brasil, Paulo Tadeu, do Reitor da Universidade Estadual do Sudoeste da
Bahia (UESB), Abel Rebouças, do prefeito de
Vitória da Conquista, José Raimundo, entre outros.
O evento é fruto de uma parceira entre Sebrae, Fundação Banco do Brasil, Coopasub, UESB, Embrapa e Prefeitura Municipal de
Vitória da Conquista.