Publicado em: 12/11/2007 - 18h57min
UNEB participa do II Encontro Brasileiro Ciências Sociais e Barragens, que reúne pesquisadores e estudantes de todo o Brasil e também da América Latina - De 19 a 22/novembro, em Salvador
Após 30 anos da construção da represa de Sobradinho, no Vale do São Francisco, os impactos sócio-ambientais da barragem voltam a ser tema de debates no estado. Entre os dias 19 e 22 de novembro, o II Encontro Brasileiro Ciências Sociais e Barragens (ECSB) reunirá pesquisadores de todo o país e também da América Latina.
A passagem deste marco será o ponto de partida para novas reflexões sobre construção de barragens e desenvolvimento regional; reassentamentos das populações e conflitos sociais; geopolitica da água; posse e propriedade da terra. O debate parte de um questionamento: Desenvolvimento para quê, para quem e à custa de quem?
Segundo a professora da UNEB, Ely Estrela, uma das organizadoras do evento, esta é uma questão que se coloca sobre diversos temas atuais, como a gestão e o controle dos recursos hídricos, a transposição do rio São Francisco, o planejamento energético do país e o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal.
“Com a transposição, vemos a possibilidade de o caso Sobradinho se repetir, no sentido em que a população atingida não recebe os benefícios gerados pelo suposto desenvolvimento”, comenta a professora.
Nesse sentido, um dos principais objetivos do encontro é estabelecer um canal de diálogo entre as diversas instâncias envolvidas na temática. Na programação, estão previstas mesas-redondas com a participação de técnicos do governo federal, pesquisadores, movimentos sociais e ainda representantes de agências financiadoras, como o Banco Mundial.
O objetivo deste diálogo é apresentar subsídios às agências governamentais, organizações da sociedade civil e também os movimentos populares e grupos ambientalistas para orientar o debate público que deve anteceder à tomada de decisões quanto à implantação de novas barragens.
As atividades propostas no encontro serão focadas nas questões relacionadas a deslocamentos e reassentamentos e as dificuldades enfrentadas pelas populações atingidas. Além destes temas também serão abordados temas como a cultura, história, memória e imaginário das populações atingidas e a sobrevivência de comunidades indígenas deslocadas.
“A questão principal é reafirmar a importância e planejar ações de reparação que, na maioria das vezes não são consideradas pelas agências governamentais e de financiamento, sobretudo em relação ao patrimônio simbólico”, avalia Ely.
O encontro acontece no Centro de Convenções da Bahia, em Salvador. A iniciativa é organizada pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB), em parceria com as universidades federais da Bahia (Ufba), do Recôncavo Baiano (Ufrb), do Rio de Janeiro (Ufrj), e com a Universidade Católica do Salvador (Ucsal).
Em sua segunda edição, o evento será marcado pelo aprofundamento dos debates com a ampliação de sua abrangência para toda a América Latina. O I EncuentroLatinoamericano Ciencias Sociales y Represas (ECSR) acontece de forma integrada ao fórum brasileiro, e se coloca como um espaço de consolidação de uma rede de estudos e trocas de experiência na área.
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