Mesmo após o grito da Independência, às margens do Ipiranga, por D. Pedro I, o Brasil ainda se mantinha sob o domínio dos portugueses. O cenário só se modifica dez meses após o 7 de setembro de 1822, quando as tropas do Exército e da Marinha brasileira expulsam definitivamente os portugueses da cidade do
Salvador. Era 2 de julho de 1823.
No início do século XVIII, o Brasil ainda vivia sob o domínio de Portugal, mas o Rio de Janeiro, ernambuco, Minas Gerais e a
Bahia lutavam pela independência. Contudo, o Rio de Janeiro, por ser, na época a sede do governo, obtinha vantagens com relação às demais províncias, o que ocasionou o surgimento de revoluções em Pernambuco e na
Bahia.
Em Recife surgiu a revolução anticolonial, em 6 de março de 1817. A ligação com a
Bahia deu-se através de grupos conspiradores compostos por militares, proprietários de engenhos, trabalhadores liberais e comerciantes. A revolução foi derrotada pelo governo e os presos pernambucanos trazidos para a
Bahia, sendo muitos fuzilados no Campo da Pólvora ou presos na prisão de Aljube, onde já havia baianos presos. Este cenário gerou um clima de insatisfação, dando início às lutas pela independência.
Os oficiais militares e civis baianos passaram a restringir a Junta Provisória do Governo da
Bahia que ditava as ordens, formando um grupo conspirativo que realizou a manifestação de 3 de novembro de 1821. O grupo queria o fim da Junta Provisória, mas foi impedido pela Legião Constitucional Lusitana, ordenada pelo coronel Francisco de Paula e Oliveira.
Início da batalha
Com a nomeação impositiva do brigadeiro português Ignácio Luiz Madeira de Mello, ao novo Governador de Armas da Junta Provisória, em 31 de janeiro de 1822, os oficiais brasileiros tiveram forte resistência, envolvendo civis e militares. Contudo, Madeira de Mello colocou as tropas portuguesas de prontidão, declarando que iria tomar posse.
Em 19 de fevereiro, os portugueses começaram a invadir quartéis, o forte São Pedro, no Campo Grande, inclusive o Convento da Lapa, onde havia alguns soldados brasileiros. Neste episódio, a abadessa Sóror Joana Angélica foi assassinada na tentativa de impedir a entrada das tropas. Concluída a ocupação militar portuguesa em
Salvador, Madeira de Mello fortaleceu as ligações entre a
Bahia e Portugal.
Com as novas tropas portuguesas em
Salvador, muitas famílias baianas fugiram para o Recôncavo, onde teve início o fortalecimento do Exército brasileiro. O coronel Joaquim Pires de Carvalho reuniu todo seu armamento e tropas e entregou o comando ao general Pedro Labatut, que organizou seu exército em duas brigadas e iniciou uma série de providências.
Aos poucos o exército brasileiro foi conquistando novos territórios até chegar próximo a
Salvador. Madeira de Mello recebeu novas tropas de Portugal e pretendia fechar o cerco pela ilha de
Itaparica e Barra do Paraguaçu, onde Maria Quitéria de Jesus Medeiros se destacou como uma corajosa mulher que vestiu as fardas de soldado do batalhão de Voluntários do Príncipe e lutou em defesa do Brasil.
Em maio de 1823, Labatut, em uma demonstração de autoridade, ordenou a prisão de oficiais brasileiros, mesmo sendo avisado do erro que estava cometendo, e acabou sendo cassado do comando e preso. O coronel José Joaquim de Lima e Silva assumiu o comando geral do Exército e no dia 3 de junho ordenou uma grande ofensiva contra os portugueses.
Com a força da Marinha Brasileira, o coronel apertou o cerco contra a cidade de
Salvador, que estava sob domínio português, restringindo o abastecimento de materiais de primeira necessidade. Diante desses fortes ataques e das necessidades que estavam passando, Madeira de Mello enviou apelos e acabou se rendendo. Com a vitória, o Exército Brasileiro entrou em
Salvador consolidando a retomada da cidade e fim da ocupação portuguesa no Brasil.