“Nada é mais nacional do que o cangaceirismo”. É o que afirma o professor, pesquisador, médico e militar, Lamartine Lima, durante a conferência de abertura do seminário Cangaço: história e revivências.
O evento, que acontece até 19 de junho, no auditório da Biblioteca Pública dos Barris, foi idealizado e organizado pelo Centro de Estudos Euclydes da Cunha (Ceec) da Universidade do Estado da
Bahia (UNEB).
O principal objetivo é relembrar, analisar e reviver a data histórica que ocorreu há 70 anos, mais precisamente no dia 28 de julho, quando Lampião, Maria Bonita e o grande bando de cangaceiros que os acompanhava, foram mortos na gruta do Angico, estado de Sergipe.
Para professor e organizador do evento, Manoel Neto, o seminário se justifica pela relevância do tema, bem como a possibilidade de discutir o cangaço não só no âmbito acadêmico, mas também com toda a sociedade. “Durante esses dias, teremos a possibilidade de ouvir e ver pessoas que estudam ou já viveram a história do cangaço”, explica Manoel.
De acordo com a neta de Lampião e Maria Bonita, a pesquisadora Vera Ferreira, eventos como o seminário são “muito importantes, pois apresentam a verdadeira história do cangaço e proporcionam uma maior discussão sobre o tema”. Vera ainda acrescentou que essa troca de experiência entre sociedade e pesquisadores faz com que alguns mitos do cangaço sejam desfeitos.
Representando o reitor a UNEB, Lourisvaldo Valentim, o assessor-chefe da Assessoria Técnica (Astec), Luiz Paulo Neiva, avaliou o seminário como uma grande possibilidade de impulsionar as pesquisas voltadas para o cangaço. O professor aproveitou para anunciar um novo centro de estudo.
“A UNEB já vem trabalhando questões relacionadas ao cangaço, porém ainda de forma incipiente, mas acredito que após o lançamento do Centro de Estudos Estratégicos do Semi-árido Baiano, esse número cresça, já que temos linhas de pesquisa e uma delas trata dessa temática”, afirmou o assessor-chefe.
Reiterando a importância das pesquisas desenvolvidas na UNEB, o professor e coordenador do projeto A Caminho dos Sertões de
Canudos, Roberto Dantas, ressalta que os projetos de pesquisas possuem os mesmos cenários. “Durante as caminhadas do nosso projeto nos deparamos com rastros do cangaço e com depoimentos dos sobreviventes, e é isso que apresentaremos na palestra de logo mais à tarde”, adiantou Dantas.
Já para o documentarista Miguel Telles, o seminário é uma oportunidade única para ajudar no crescimento das discussões sobre o cangaço. “Para quem cresceu no sertão, eventos como esse são fantásticos. Eu gosto de trabalhar com essa temática e fazer o que faço”, disse Telles.
Muito emocionada a atriz Vanja Orico, protagonista do filme O cangaceiro, premiado em Cannes na década de 50, se diz gratificada por participar do seminário e afirmou que a iniciativa possibilitou reviver a história e a memória do tempo.
De acordo com a programação, serão exibidos filmes sobre tema, exposições (fotográficas e de acervos), peças teatrais, lançamento de livros e a instalação do espaço Bodega Sertaneja, onde serão comercializados livros, discos, artesanatos e todo tipo de produto vinculado à cultura e à história sertaneja.
Estavam presentes nessa manhã artistas como Gildemar Sena, Fábio Paes, Gereba e Paraíba da Viola; no âmbito acadêmico, estudiosos como Lamartine Lima, Amaury Correia, Oleone Coelho Fontes e Luitigarde Barros.
Compuseram a mesa de abertura da solenidade, a presidenta do Instituto Geográfico e Histórico da
Bahia (IGHB), Consuelo Pondé, professor José Carlos Pinheiro, que representou o diretor do Centro de Estudos
Euclides da Cunha, Vilson Caetano, a diretora do Centro de Memória da
Bahia, Consuelo Sampaio e o Tenente Coronel Marcelino, representando a Polícia Militar do Estado, que apóia o evento.
Serão expedidos certificados aos participantes que freqüentarem integralmente as sessões acadêmicas e culturais. O evento é fruto da parceria do Ceec com a Biblioteca Pública, o IGHB e o Colégio Análise.
Informações: Ceec – Tels.: (71) 3241-0811/0840 ou pelo blog do evento.
Na foto, da esq. para a dir., José Carlos Pinheiro, Consuelo Sampaio, Manoel Neto, Luiz Paulo Neiva, Consuelo Pondé e Tenente Coronel Marcelino.