Cerca de dois milhões de baianos residentes em áreas de seca aguardam ansiosos pela chuva. Há nove meses não chove em 54% do Estado, que representam 258 municípios. O período é ainda mais cruel para quem vive na Região Oeste, historicamente menos habituada a secas prolongadas. A criação de gado, a agricultura de subsistência e o abastecimento de água enfrentam situação jamais vista em muitos lugares.
Desde janeiro, são 138 os
municípios baiano s que tiveram decretado o estado de emergência - 82 dos quais ainda em vigor. Porém, é no Oeste - onde a relativa inexperiência implica diretamente na falta de estruturas adequadas de convívio com a seca (açudes, poços artesianos, sistemas de captação de água da chuva) - que o impacto se mostra ainda maior.
Em
Formosa do Rio Preto (Extremo Oeste do estado), a 1.002 km da capital, a última chuva foi em fevereiro. Dos pouco mais de 20 mil habitantes, 40% vivem na zona rural. “Esta é a maior seca que a gente já verificou. Até as pessoas mais velhas dizem que nunca viram nada igual. Mesmo quando não chovia muito no Inverno, tinha a chuva do caju, em setembro. Este ano, pela primeira vez, não teve”, diz o prefeito, Manoel Araújo. Barragens e cacimbas que nunca secaram estão sem água e o gado morrendo.
O estado de emergência foi decretado em julho e homologado pelo Governo da
Bahia há dois meses, mas segundo o prefeito o município só recebeu repasse de R$13.600 (valor correspondente a um mês).
Em
Angical (também no Oeste), a 886 km de
Salvador, o reflexo sobre o comércio – que gira em torno da pecuária – é claro. “Não tem mais pasto. Com a alimentação deficiente e as doenças oportunistas, já morreu muito gado por aqui. Vários pequenos pecuaristas nem medicam mais os animais porque dizem que não vale a pena”, conta o proprietário de uma loja de produtos veterinários, Jesuíno Cosmo de Souza, que sente a crise no bolso.
“Não temos preparo para esta seca, que já ultrapassou todos os limites. A situação é caótica”, completa o vereador Edson Silva de Matos.