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Em homenagem a Florence Nightingale, um grande marco da enfermagem moderna, no próximo dia 12 de maio (segunda-feira) é comemorado o Dia Mundial do Enfermeiro - uma das profissões mais antigas do mundo. No Brasil, a maior referência do ofício, que só foi reconhecido como atividade profissional institucionalizada em meados do século XIX, é Anna Néri, a “Mãe dos Brasileiros”. Mas engana-se quem pensa que ser enfermeiro resume-se a cuidados físicos dos pacientes, aplicar injeções ou fazer curativos. O campo é vasto, são exigidas especializações e uma das áreas mais desconhecidas do grande público é a Enfermagem Psiquiátrica.
Há 25 anos na profissão Sandra Simon Siqueira é especialista em Enfermagem Psiquiátrica , Psicodrama e Administração Hospitalar e, atualmente, como gerente de enfermagem do Espaço Holos, no Itaigara, coordena o trabalho de 22 pessoas, entre enfermeiros, auxiliares, técnicos de enfermagem e funcionários de apoio. Segundo Siqueira, cuidar de pacientes com transtorno mental é bem diferente do que se faz na atividade trivial da área e, além dos cuidados gerais inclui lidar com problemas de atitude, de humor e de interpretação da realidade. “Ajudá-los nas soluções de seus problemas do aqui e agora, reforçando as vivências saudáveis fazem parte da minha rotina. As palavras são meu instrumento, através dela posso estabelecer vínculos tão necessário para meu trabalho”.
Ela esclarece que é necessário desenvolver essa habilidade técnica conhecendo bem as patologias psiquiátricas, planejando e individualizando cuidados além de estar conectado com o mundo e suas transformações, pois o conhecimento geral é importante para compreender e ajudar o outro. Cada paciente é único, a doença se manifesta com as características pessoais de cada um, é necessário saber distinguir comportamentos habituais e os gerados ou exacerbados pela doença para poder intervir.
Manejar as situações do dia-a-dia, lidar com os pacientes nas diversas situações (transtornos do humor, depressão etc.), orientar familiares, ajudar na adaptação dos pacientes às rotinas do tratamento e a entenderem sua dificuldades, treinar os funcionários no relacionamento diário com os pacientes fazem parte do trabalho da gerente de enfermagem.
Ela aponta que é preciso também saber ouvir, ter a capacidade de trabalhar em equipe, desenvolver uma crítica aguçada sobre a própria atuação e da equipe de enfermagem com o paciente para replanejar o cuidado se for necessário. . Uma abordagem ruim pode comprometer o relacionamento. Questionada sobre a escolha desse ofício não tem dúvidas: faria tudo de novo. “Fazer contato com pessoas, ajudá-las de algum modo, desmistificar a doença mental através da informação e do trabalho com pacientes e familiares transforma comportamentos e contribui para que a doença mental não seja vista como tabu”, explica.