Para os mais de 70 mil brasileiros cadastrados no Sistema Nacional de Transplantes, a única esperança de sobrevivência é através da doação de órgãos. Este tema, ainda pouco conhecido pela população e profissionais de saúde, será abordado e debatido na próxima sexta-feira, dia 9, durante o XIII Congresso Brasileiro de Medicina Intensiva, no Centro de Convenções da
Bahia.
Ao longo do dia, serão explorados diversos aspectos do assunto, entre eles: resultados e qualidade de vida; importância e situação do transplante de órgãos no Brasil e no mundo e cuidados pós-operatórios. Dr. Valter Duro Garcia, Dr. Leonardo Ferraz, Dr. José Otávio Costa, Dr. Edison Moraes e Dr. Weiber Silva Xavier são alguns entre os renomados profissionais que apresentarão esses temas.
De acordo com a Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO), em 2007, foram realizados 18.621 transplantes no país, sendo que 13.887 foram de tecidos e 4.734, de órgãos. Na
Bahia, foram 291, sendo 37 de fígado, 68 de rim e 186 de córnea.
O Brasil é o segundo país no planeta em número de transplantes, perdendo apenas para os Estados Unidos. Ainda assim, de acordo com o médico intensivista, cirurgião e representante da
Central de Notificação, Captação e Distribuição de Órgãos (CNCDO) na
Bahia, Dr. Eraldo Salustiano de Moura, os números são bem menores que os desejados para atender a demanda não só na
Bahia, mas no mundo inteiro.
Dos pacientes cadastrados no sistema pelo Ministério da
Saúde, 25 mil aguardam por córneas e 33 mil por rim. Contudo, Dr. Salustiano explica que esses grupos formam a grande maioria porque dificilmente morrerão pela falta de um órgão novo, já que há tratamentos como a terapia renal, que retarda a necessidade do procedimento. Esse cenário é diferente para os que precisam de fígado, por exemplo, que sobreviverão, em média, dois anos e meio caso não sejam transplantados. Quando a doença é cardíaca, a média de vida estimada é de um ano.
Em casos como esses, é importante trabalhar a conscientização da população e dos médicos, conforme esclarece o especialista: “No Brasil, há pouco envolvimento e conhecimento dos profissionais de saúde no processo de doação e doenças que podem ser tratadas com transplantes. Isso reflete na população que, muitas vezes, morre sem saber que sua doença podia ter solução”.
Visando melhoria da realidade baiana no cenário de transplantes estão sendo implantandas ações em diversos segmentos da população. Uma dessas é a formação pioneira de comissões intra-hospitalares de transplantes nos hospitais com funcionários exclusivos. Outros destaques são o projeto de inserção do módulo nas faculdades; interiorização de transplantes, levando o procedimento para
Feira de Santana,
Vitória da Conquista,
Ilhéus,
Itabuna,
Barreiras, entre outras cidades do interior do estado; e o curso de morte encefálica, que teve sua quinta edição durante o congresso. Este último é uma ação pioneira dos Conselhos Regional e Federal de Medicina, havendo apenas na
Bahia.
Procedimento
O SUS cobre todos os custos com as cirurgias de doação e transplantes. Cerca de 90% destes tipos de procedimentos realizados no país são feitos através do SUS, sendo que, a maioria é nas regiões Sul e Sudeste. Na
Bahia - um dos poucos estados nordestinos que fazem esse tipo de cirurgia - são realizados os transplantes de fígado, rim e córnea.
Para atender as demais demandas também em outros estados e regulamentar toda a atividade no país, foi criada a Política Nacional de Transplantes de Órgãos, regulamentada na Lei 9.434/1997. Esta norma permite que o paciente faça parte da lista, seja atendido e receba o tratamento independente de onde mora, considerando apenas a compatibilidade do órgão ou tecido disponível. Em alguns casos, como a córnea, considera-se também a ordem cronológica da inscrição na lista, já em casos hepáticos, por exemplo, releva-se a gravidade do estado de saúde do paciente.
Ainda em vida, a pessoa pode doar fígado, rim, medula óssea e pulmão, porém, isso só funciona se a doação for entre parentes de até quarto grau ou cônjuge. Há casos que envolvem desconhecidos, mas estes só são realizados com autorização judicial, atitude que evita o comércio ilegal de órgãos e tecidos.
Apenas um corpo pode resultar em mais de 30 transplantes, sendo que o Brasil conta com uma tecnologia que aumenta em até quatro vezes 10 cm de pele. Até seis horas depois do óbito por parada cardíaca, aproveita-se córneas, pele, ossos e coração para valva cardíaca. Quando é declarada morte encefálica, é possível transplantar múltiplos órgãos (coração, fígado, intestino, pâncreas, etc.) e tecidos (medula óssea, osso, músculo, entre outros).
A rejeição do órgão ou tecido novo é um risco que o transplantado corre, apesar de todos os cuidados viáveis. Segundo o cirurgião, isso é mais comum nos casos de intestino, pulmão ou ainda medula óssea, quando o tecido vem de alguém sem qualquer parentesco.
Serviço
XIII Congresso Brasileiro de Medicina Intensiva
Data: até 10/05/08, de 8h às 18h.
Local: Centro de Convenções da
Bahia.
Maiores informações na Eventus System ou no local do evento.
Tel.: 71 2104 3477.