A programação das “Sextas CRH nos 20 anos da Constituição”, iniciada em março passado, prossegue hoje (25), no Centro de Recursos Humanos da UFBA (CRH). Dessa vez, com palestra da cientista política Eli Diniz, professora do Instituto de Economia da UFRJ, sobre o tema “Globalização, estado e democracia: retomando um antigo debate”. Às 15h, no auditório do CRH - Rua Caetano Moura, 99, 1.º sub-solo – Federação (prédio do Smurb). Eli Diniz é conceituada pesquisadora do tema e, entre outras distinções da carreira acadêmica, foi ganhadora, com um de seus trabalhos, do prêmio Anpocs. Estudou o processo de transição democrática - em seguida a agenda de reformas do Estado e as relações entre empresariado e Estado no Brasil, tendo sempre, como pano de fundo das pesquisas, o problema das implicações políticas dos sucessivos formatos assumidos pelo capitalismo no Brasil, ponto que desde o final dos 80 passou a estar associado, na agenda de pesquisa, ao tema da globalização.
Em trabalhos mais recentes, Eli Diniz tem analisado o fato de que, na atual época, chamada de “pós-Consenso de Washington”, vêm sendo redefinidos - em estudos acadêmicos e por atores políticos e instituições - os termos das relações entre Estado e sociedade; entre política e economia. Não mais vem sendo colocada com ênfase a pauta dita “neoliberal” de reformas que marcou os anos 90 e que então se confrontou abertamente com o espírito da Constituição de 88. Porém, marcas irreversíveis deixadas por tal agenda problematizam a hipótese de simplesmente se retomar aquele espírito no atual momento e sugerem buscar novos caminhos. Diniz tratará na palestra os possíveis caminhos.
É neste ponto que as reflexões de Eli Diniz se encontram com o tema geral das Sextas CRH de 2008: os 20 anos da Constituição e um balanço de suas implicações na vida social brasileira atual. A idéia do CRH é, através de eventos mensais até o final do ano, envolver em debates não só professores e pesquisadores da academia, como técnicos, administradores públicos, políticos e ativistas sociais. Pretende também que os debates convirjam, a partir do segundo semestre deste ano de eleição municipal, para focalizar a gestão de
Salvador e sua aparente impermeabilidade, durante esses 20 anos, às possibilidades abertas pela Carta de 88 às administrações municipais no Brasil, tanto em termos de recursos tributários, como de instrumentos de gestão urbana.