Em 25 de abril de 1974, um levante militar derrubou, num só dia, o regime político que vigorava em Portugal desde 1926, sem grande resistência das forças leais ao governo que cederam perante o amplo apoio popular aos militares. Mais conhecido como a Revolução dos Cravos, esse episódio histórico é o mote da programação especial que as Salas Alexandre Robatto e Walter da Silveira realizam de 25 de abril a 1º de maio, sempre com entrada franca.
Por intermédio do Consulado Geral de Portugal em
Salvador e do Instituto Camões, o público local terá a oportunidade de conhecer documentários raros que registraram não só o movimento revolucionário em si, como seus desdobramentos.
No programa, destacam-se o monumental trabalho de Rui Simões, “Bom Povo Português”(1980), que será exibido na Sala Walter da Silveira.
Contexto histórico – O atraso do sistema político e social vigente, o isolamento internacional a que o país estava votado e o desgaste com a guerra colonial, estão na origem do descontentamento no interior das Forças Armadas, que resultou na revolução dos cravos. Conduzida pelos oficiais intermediários da hierarquia militar (o MFA), na sua maior parte capitães, que tinham participado na Guerra Colonial, o movimento legalizou os partidos políticos, inclusive o comunista, e extinguiu a Pide, polícia política do salazarismo. Um período de grande agitação revolucionária se seguiu: António Spínola fracassa em sua tentativa de controlar a força política e militar da esquerda e renuncia em setembro de 1974; o governo passa a ser dominado pelo Movimento das Forças Armadas (MFA), fortemente influenciado pelo Partido Comunista. Angola, Moçambique, Cabo Verde e Guiné-Bissau obtêm a independência.
Em março de 1975, após uma fracassada tentativa de golpe de Spínola, o governo passa a ser dominado por um triunvirato formado pelos generais Costa Gomes, Otelo Saraiva de Carvalho e Vasco Gonçalves. Tem início uma política de estatização de indústrias e bancos, seguida por ocupações de terras. O moderado Partido Socialista, de Mário Soares, vence as eleições para a Assembléia Constituinte em abril de 1975. Em novembro do mesmo ano, o fracasso de uma tentativa de golpe de oficiais de extrema esquerda põe fim ao período revolucionário. Apesar disso, a Constituição de 1976, ainda influenciada pelo MFA, proclama a irreversibilidade das nacionalizações e da reforma agrária.
Considera-se, em termos gerais, que esta revolução devolveu a liberdade ao povo português (denominando-se como "dia da Liberdade" ao feriado instituído em Portugal para comemorar a revolução).
ServiçoMostra “As Armas! Memórias da Revolução dos Cravos”, de 25 de abril a 1º de maio, nas Salas Alexandre Robatto e Walter da Silveira. Apoio: Consulado Geral de Portugal em
Salvador e Instituto Camões. Entrada franca
Programação
Sala Walter da Silveira
15h e 17h30
Bom Povo Português (Portugal, 1980)
Direção: Rui Simões
Duração: 135 min.
Censura livre
Sinopse - O filme procura traçar a história entre o 25 de Abril de 1974 e 25 de Novembro de 1975, tal como ela foi sentida pela equipe que, ao longo deste processo, foi ao mesmo tempo espectador, ator, participante, mas que, sobretudo, se encontrava totalmente comprometida com o processo revolucionário em curso.
Sala Alexandre Robatto
Às 15h
Torre Bela (Portugal, 1977)
Direção: Thomas Harlan
Duração: 82 min.
Censura livre
Sinopse - 1º de Dezembro de 1975. 219 dias após a ocupação das terras. A cooperativa popular de Torre Bela foi cercada e mais tarde ocupada pelas unidades blindadas do exército português. Os membros da comissão de trabalhadores foram presos, os oficiais da polícia militar julgados em conselho de guerra e a produção interrompida. A revolução dos cravos tinha chegado ao fim. Em 1982, D. Diogo de Bragança e seus irmãos retomaram a posse das terras e reconverteram os 22.331 hectares da herdade em reserva de caça.
Às 17h30
A Lei da Terra (Portugal, 1977)
Realização coletiva do Grupo Zero
Duração: 67 min.
Censura livre
Sinopse - As motivações e o processo da Reforma Agrária, ao Sul de Portugal, através da análise das estruturas sociais e da história da luta de classes – que culminou na ocupação de terras, na criação de novas relações de propriedade e laborais. Perante a sabotagem econômica dos patrões, os trabalhadores organizam-se em sindicatos, exigem emprego e salários justos e – invocando a sua lei, “a terra a quem a trabalha” – constituem cooperativas e unidades coletivas de produção. A reação dos agrários expropriados recrudesce, apoiando-se nos intermediários, nos pequenos agricultores do Norte e nos Seareiros do Sul…
Às 20h
Portugal 74-75
Direção: Joaquim Furtado, José Solano de Almeida, Cesário Borga, Isabel Silva Costa/ RTP 1994
Duração: 70 min.
Censura Livre
Sinopse - Às 18h40 do dia 25 de Abril de 1974, as primeiras imagens televisivas dão conta de uma mudança política que trouxe profundas conseqüências para Portugal e para o estrangeiro. O filme mostra a queda do regime nas ruas e o movimento vitorioso dos capitães, recuando aos seus antecedentes imediatos: a morte de Salazar, a ascensão de Marcello Caetano, os mortos na guerra em África, o livro “Portugal e o Futuro” de António de Spínola, o levantamento militar de 16 de Março nas Caldas da Rainha. Depois, o filme percorre todos os episódios essenciais do período que decorreu entre de 1975 a 1976, numa crônica documental de forte cunho jornalístico.