Representantes de 28 municípios do Pólo Regional VII da União Nacional dos Dirigentes Municipais da Educacão (Undime) participaram na Casa do Educador, em
Itabuna, do lançamento da campanha contra o partidarismo político no ambiente escolar, que tem como tema ‘Meu partido é a Educação’. A agenda incluiu ainda discussões sobre a questão do transporte escolar, da alimentação escolar e de diretrizes curriculares para o ensino das relações étnico raciais e indígenas.
O secretário municipal de educação, Gustavo Lisboa, que é presidente da Undime – Regional VII, considerou que a reunião foi proveitosa, uma vez que tratou de questões estruturais da educação pública de qualidade: “A proposta é a de transformar a educação num instrumento de emancipação e mesmo de valorização da cidadania em cada munícípio da região”.
Com relação à campanha contra a partidarização da educação, o secretário considera que: “ela é soberana e deve ser discutida no âmbito das escolas, mas em termos de política educacional”. A idéia da campanha será a de divulgar e discutir propostas através de jornais, rádios, televisões e do próprio Ministério Público, com o objetivo de evitar a ingerência partidária na educação num ano eleitoral.
O debate vai incluir a mobilização de alunos, pais e professores como cidadãos dos seus municípios e terá como base a divulgação de uma carta aberta ainda em fase de elaboração. O documento será distribuido amplamente, inclusive no âmbito das unidades escolares da região.
Transporte escolarGustavo Lisboa destaca ainda que a agenda incluiu o debate sobre a questão do transporte escolar: “
Itabuna assumiu o transporte escolar em todo o município, o que inclui os alunos da rede estadual. O serviço tem um custo total anual de R$ 79 mil e o problema é que o estado propõe nos repassar apenas R$ 5 mil por ano para a prestação deste serviço, o que é uma quantia insignificante”. O mesmo problema é enfrentado pelos demais municípios da região, que também querem uma revisão dos valores para compartilhar o transporte dos alunos com o estado.
MerendaOutra questão polêmica para o presidente regional da Undime, é o da alimentação escolar, uma vez que os valores permanecem congelados desde 2005, com o repasse do equivalente a apenas R$ 0,22 por aluno: “O que não paga hoje, nem mesmo um pãozinho com manteiga. Além do mais os preços dos alimentos básicos tiveram uma elevação superior a 25% no mesmo período”, argumentou.
A idéia, segundo ele, é formar uma comissão de secretários de educação representados pela Undime para tentar negociar junto ao Ministério da Educação e ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação –FNDE-, uma revisão dos parâmetros. Defende também que a merenda escolar volte a ser distribuída para os alunos dos cursos noturnos para tentar diminuir a evasão escolar.
A reunião da Undime também incluiu a discussão com o Movimento Afrodescente, das diretrizes curriculares que os municípios devem implantar no que diz respeito às relações étnico-raciais, uma lei aprovada em 2003 e que foi revisada agora e que inclui também a questão indígena. Com isso, os municípios deverão criar resoluções municipais, o que já foi implementado em
Itabuna, para, através de um trabalho de formação continuada, sejam implementados conteúdos específicos para todas as etnias.
ItajuípeA secretária de educação de
Itajuípe, Márcia Lima, considerou positiva a agenda discutida na reunião, enfatizando a necessidade de evitar a partidarização nas escolas, o que é incompatível com a proposta de uma educação de qualidade, comprometida com a ética e a cidadania.
Ela também destacou a questão do transporte escolar e do valor social da educação, o que passa também pela revisão da merenda escolar, pois, o repasse de apenas R$ 0,22 por aluno a cada dia: “é, simplesmente, uma indecência”.