Até o fim deste mês, será concluída a restauração da Capela Santa Izabel do Abrigo D. Pedro II, instalada em prédio tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). As obras são resultado de convênio entre o governo do Estado, Petrobras, Arquidiocese de
Salvador, através da organização social de interesse público Gerar, e a Prefeitura, através da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social (Sedes), e o investimento foi de cerca de R$ 1,7 milhão. A Sedes, responsável pela administração do Abrigo D. Pedro II, já encaminhou ao Ministério da Cultura um projeto da recuperação total do abrigo orçado em cerca de R$ 10 milhões.
A edificação, construída no início do século XIX em estilo neoclássico sob forte influência do projeto arquitetônico do Palácio de Versailles, estava parcialmente condenada pela Defesa Civil, devido aos estragos na estrutura física causados pela explosão de bombas na Baía de Todos os Santos.
Dílson Andrade, gerente da MRM, empresa responsável pela obra, informou que a restauração arquitetônica inclui revestimentos, esquadrias, fachada, elementos decorativos e artísticos da fachada, como vasos portugueses, estátuas, adornos, além da estrutura dos telhados, forros e assoalhos. "Tudo foi praticamente recuperado, quando não, sua estrutura foi substituída naquelas peças que não havia possibilidade de serem restauradas", disse. Havia problemas estruturais e de vazamento bastante significativos que atingiam forros, altar, paredes internas com elementos, pinturas decorativas. "Tudo isso foi recuperado no âmbito da capela", falou.
As obras começaram em outubro de 2007 e envolveram equipe de cerca de 80 pessoas, entre operários, artesãos, artistas plásticos, restauradores, engenheiros e arquitetos. Durante os meses de trabalho não foram encontrados materiais raros e interessantes por baixo das camadas de pintura. "Encontramos pinturas artísticas nas paredes da capela, douramentos em colunas metálicas, pinturas artísticas em cimálias (elemento arquitetônico que contorna uma fachada ou um ambiente interno)", informou o gerente da MRM. As paredes da capela se mostraram bastante ricas e isso era desconhecido porque estavam cobertas por diversas "demãos" de pintura de látex.
Lado da féA diretora do Abrigo D. Pedro II, Marielza Espírito Santo, destacou a importância da restauração da capela por ser um espaço onde os internos católicos assistem às missas, assim como para as Irmãs Vicentinas que residem no local e são responsáveis pelo cuidado com as atividades religiosas da instituição. A Madre Superior do Abrigo, Irmã Cristina Gomes, destacou que na capela estão os restos mortais de Irmã Lindalva de Oliveira, martirizada por um interno numa Sexta-feira Santa, em 9 de abril de 1993, tendo morrido durante serviço de caridade com os idosos num dia muito especial, quando se celebra a Paixão de Jesus Cristo.
Ela explicou que a irmandade tem uma ligação muito forte com a Irmã Lindalva porque, assim como Jesus, ela deu a vida pelos idosos, tendo sido beatificada em dezembro do ano passado. "A reforma da capela vai trazer muita alegria para nós porque podemos fazer celebração para ela, as missas todos os dias e as festividades religiosas que estavam um pouco restritas e sendo feitas em outro local (no salão de atividades), que não era um local apropriado", falou.
A interna Dionéa Lima, 79 anos, engrossou o coro dos internos contentes com a reabertura da Capela Santa Izabel. "É uma maravilha porque o Abrigo D. Pedro II sem a capela está morto, mas agora tudo vai melhorar", disse. Marcelina dos Santos, 76, falou que é católica e que a reforma da capela é muito positiva porque o Abrigo sem a capela não tem a mesma dinâmica de vida. Outra interna, Rosa de Souza, 86, frisou que espera que as atividades religiosas do Abrigo retornem ininterruptamente para a capela.