Clássico de Lucio Fulci abre Sessão Maldita na Sala Walter da Silveira

Publicado em: 27/03/2008 - 08h39min

Um filme de horror gráfico e de traço apocalíptico inaugura a ‘Sessão Maldita’, novo espaço de exibição da Sala Walter da Silveira. O Além (L'aldilà, The Beyond, ITA/ EUA, 1980), de Lucio Fulci, fica em cartaz de 28 de março a 3 de abril, em sessão diária às 20h, com entrada  franqueada ao público.

Lançado no Brasil primeiro como ‘Terror nas Trevas’ e depois relançado com o inadequado título ‘A Casa do Além’ (sendo que a história se passa não numa casa, mas em um hotel), O Além é o filme mais conhecido do mestre do horror e do “gore” europeu Lucio Fulci. O “gore” (ou giallo que significa “amarelo” para os italianos) ou splatter movies é um tipo de cinema pouco divulgado, com este nome, no Brasil, mas é um gênero, com uma produção já extensa, com foco voltado para a morte enquanto espetáculo e que explora taras, perversões, mutilações, freqüentemente com muito sangue explícito, além de personagens demoníacas e tramas satânicas.

Lucio Fulci filmou quase todos os gêneros de terror, ficção científica e até mesmo comédias. Mas entre as suas obras mais emblemáticas está o enigmático Zumbi 2 (1979), o filme de mortos-vivos que mais se aproxima do livro de Peter Tremayne, com a célebre seqüência da invasão de Nova York por um enorme bando de zumbis, que atravessa a ponte de Manhattam, e a não menos célebre imagem da jovem assassinada em que uma farpa de madeira lhe atravessa literalmente um dos olhos.

Fulci também realizou O Estripador de Nova York (Lo Squartatore di New York, 1982), uma versão de Jack The Ripper à base de esquartejamentos com lâminas de barbear, e a célebre trilogia dos infernos, composta por Os mistérios da cidade maldita (Paura nella cità dei morti viventi, 1980), O Além (L'aldilà/ The Beyond/ As 7 portas do inferno, 1981) e A casa do cemitério (Quella villa accanto al cimitero, 1981): três obras de viés mais ou menos exploratório, em que cientistas ou pseudo-detetives tentam encontrar explicação para alguns fenômenos do oculto e acabam sempre enredados em teias do maior horror: demônios, zumbis, adoradores de satã e outros tipos horríveis, num manancial de sangue a rodo e goelas cortadas que parece não ter fim. O cineasta italiano lançou um modelo de filmes de terror. E já é vasto o número dos seus seguidores.

O Além começa com uma impressionante introdução filmada em tom de sépia (para dar uma idéia de filme antigo), na Lousiana de 1927. No rústico Hotel Seven Doors (note-se bem “Hotel Sete Portas”), uma garota encontra um antigo livro com as profecias de Eibon, escritas há 4 mil anos. Estas falam sobre os sete portões do Inferno, que, quando abertos, liberarão o Mal sobre a face da Terra.

Considerado um mestre do splatter e dos filmes de zumbis, Lucio Fulci nasceu em 1927 e faleceu em 1996. Antes de se tornar cineasta foi crítico de cinema, jornalista e médico. De sua última profissão, trouxe para o cinema cenas quase cirúrgicas de jugulares abertas, olhos arrancados e por aí afora, sem contar as cenas filmadas em salas de necropsia, presentes em quase todos os seus filmes de horror.

Diretor de mais de cinqüenta filmes, Fulci iniciou no splatter com o clássico Zumbi (79), embora já tivesse flertado com o horror no aplaudido giallo Don't Torture a Duckling (72), cuja trama foi considerada tão ofensiva à igreja, mostrando um padre assassino de crianças, que Fulci foi excomungado pelo Vaticano.

O Além é visto como o maior clássico do cineasta e o giallo ultrabrutal O Estripador de Nova York, uma viagem num universo decrépito e perturbador. Depois Fulci foi decaindo em filmes menores como Manhattan Baby (84) e Enigma do Pesadelo/Aenigma (88). Seu último trabalho foi The Door to Silence /Le Porte del Silenzio (92), rodado inteiramente num cemitério, e produzido por seu amigo Joe D'Amato, que sempre considerou esta a melhor obra que já produzira.

Sessão Maldita

 - Em uma arte industrial como o cinema, ninguém transgride as regras impunemente. Para alguns realizadores o preço é o esquecimento, para outros uma péssima reputação. Mas nada poderia ser pior ou contrário à natureza do filme, feito para ser visto, do que a invisibilidade. Soa quase como uma maldição. E contra ela só há um antídoto: a (re)descoberta. É com estas palavras que o programador da Sala Walter da Silveira Adolfo Gomes explica a estréia e o batismo de “maldita” a “essa sessão que se propõe a refazer o caminho entre o público e tais obras transgressoras, contribuindo para a (in)formação e constituição de um olhar livre e diverso sobre o cinema”. Preparem-se! Os malditos estão chegando...

Serviço
Sessão Maldita com o filme O Além, de Lucio Fulci, em cartaz de 28 de março a 3 de abril, sempre às 20h.  Entrada franca.

Ficha Técnica

O Além (L'aldilà/ The Beyond, Itália/EUA, 1980)

Direção: Lucio Fulci

Roteiro: Dardano Sacchetti e Lucio Fulci

Produção: Fabrizio De Angelis

Duração: 87 minutos./ Censura: 18 anos

Elenco: Catriona MacColl; David Warbeck; Cinzia Monreale e Antoine Saint-John.

Sinopse - Um dos mais famosos clássicos splatter / gores italianos e o legado de Lucio Fulci para com o cinema extremo mundial. Herdeira de hotel situado na Lousiana reabre prédio que na verdade é uma das sete portas do inferno antes profetizado por pagão pintor de quadros e por onde serão libertos os mortos-vivos que dominarão a terra trazendo a morte e o “armagedon” à humanidade.
DIMAS

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