Desde o dia 19 de fevereiro de 2008, o museu Palacete das Artes Rodin
Bahia, vinculado à Secretaria da Cultura do nosso Estado e ao Instituto do Patrimônio Artístico Cultural da
Bahia (IPAC), sob a direção do artista plástico Murilo Ribeiro, abriga a importante exposição “Arte Brasileira no Acervo MAC-USP”, contando através da história da arte do nosso País as transformações estético-culturais ocasionadas pelas várias fases do nosso modernismo. Com 81 peças selecionadas pela curadora e professora da USP, drª Lisbeth Rebollo, esta mostra artística ficará entre nós até o dia 30 de março deste ano.
A Sala de Arte Contemporânea, localizada ao fundo do antigo casarão Martins Catharino, espaço dedicado às mostras temporárias no Palacete, tem recebido muitos estudantes das escolas públicas e privadas da cidade do
Salvador, que dialogam com entusiasmo frente às obras de grandes nomes artísticos brasileiros, como Tarsila do Amaral e Candido Portinari. Além de fruir a beleza das peças, os alunos são convidados a conhecer a história do modernismo e entendê-lo como um evento histórico-cultural que redimensionou a sociedade brasileira, principalmente, por entre as camadas urbanas deste País.
Esta ação expositiva, erguida com intenções didáticas para historiar a força da arte no Brasil, a partir de perspectivas modernistas que buscaram criar uma estética fundamentada em temáticas brasileiras, apresenta o trajeto da arte nacional, entre as décadas de 1920 e 1970. Erguida por suportes artísticos que envolvem a pintura, a gravura, a escultura e a fotografia, esta mostra é dividida em quatro núcleos temáticos: Modernismo e seus desdobramentos; Tendências Abstratas /Tendências Construtivas; Impactos da Nova Figuração e Novas Pesquisas/ Novos Conceitos.
A vinda de uma exposição deste nível artístico, só vem acrescentar no conteúdo extraclasse dos estudantes baianos, pois esta mostra retrata um período de transformação no campo das artes plásticas que atingiu o nosso campo social. Conceitos novos que foram formados dando origem a novos olhares de nós para nós mesmos. Ao visitarem esta exposição, os estudantes se aquecem de um novo saber e aprendem a entender a obra de arte como um testemunho histórico, antropológico e social de um tempo em uma sociedade, criando uma criticidade fundamental para sua formação intelectual e o educando para uma freqüência assídua aos museus.
Mais de 700 adolescentes já visitaram a exposição e muitos saem encantados com o quadro “Costureiras – 1950” de Tarsila do Amaral e o “Aliança para o progresso - 1965” de Marcelo Nitsche, sendo este último, a grande coqueluche por representar para os discentes o “eterno aprisionamento que o Brasil sofre em relação ao domínio econômico americano”.
Em visita ao Palacete das Artes e à exposição em questão, a aluna Ticiana Assemany, 15 anos, do 1ª série do Ensino Médio do Colégio Módulo, fez a seguinte afirmação: “É bom ter contato com obras de artes, estar perto da história que elas contam, e nesse caso do modernismo, aprendemos muito sobre a arte no séc. XX e isso nos ajuda para participarmos do nosso projeto 2008 lá no Módulo”. Júlia Lira, 15 anos, da mesma série e do mesmo colégio, saiu com esta impressão: “Este museu dá uma calma, é um lugar lindo e de relaxamento. Vim aqui é importante porque a gente vive de perto a arte, a música... Vim ao museu é tomar conhecimento daquilo que melhor o ser humano produz. O quadro com as algemas e a bandeira americana retrata uma realidade vivida pelo mundo, não é?”.
A supervisora Neuza Neves, que coordena as primeiras séries do Ensino Médio do Módulo, disse que a exposição se coadunou com o projeto 2008 desta escola, pois segue a seguinte temática: “O século XX: questionamentos, novas perspectivas e descobertas” e os alunos aprenderam a evolução da arte brasileira ao longo do século XX. Nas palavras dela: “a exposição caiu para nós como uma luva, e este museu é lindo, deve ser muito visitado, outras exposições devem atrair mais público para este espaço belíssimo”.
A coordenadora do Colégio Anchieta, Lucilene Macêdo, sentenciou: “Uma exposição desta, num espaço como este deve ser bem divulgada entre todos os nossos estudantes baianos. Com este acervo aqui apresentado nós todos – professores e estudantes - aprendemos muito sobre o Brasil e o seu fazer artístico”.
As visitações tem sido monitoradas pelo Setor Educativo do Palacete das Artes, que cuida dos agendamentos e contata vários estabelecimentos educacionais em nossa cidade. A antropóloga Isabel Schaeppi, uma das responsáveis pelo Setor, diz que muitas escolas da Rede Pública e faculdades, como a Católica, a Factur, Unifacs, UFBA, também têm procurado o museu para trazer seus alunos para visitaram a exposição, segundo ela “O modernismo é um divisor de águas na nossa cultura e esta exposição organizada pelo MAC e mostrada pelo Palacete das Artes, traduz a força da produção artística no Brasil e de modo bem didático”, finaliza.
O museu Palacete das Artes Rodin
Bahia fica na Rua da Graça, nº 284, Graça. O horário de funcionamento da exposição é das 10h. às 18h. , de terça-feira a domingo, e esta fica até o dia 30 de março de 2008.