Diversidade de programas – todos franqueados ao público - é o que oferece a Sala Walter da Silveira neste próximo período de 22 a 27 de março. O inédito no Brasil A Floresta é Minha Escola, do japonês Yoshiharu Nishigaki, é a atração das sessões das 15h e 17h30.
A Princesa das Ostras, do alemão Ernst Lubitsch, e Entuziazm, do ucraniano Dziga Vertov, formam a grade da Sessão Cineclube, de 22 a 25 de março (sábado a terça-feira), sempre às 20h. Estes tesouros do cinema mundial serão projetados um em seguida ao outro em sessão conjunta.
Na quarta-feira o horário das 20h é reservado tradicionalmente ao projeto Quartas Baianas, que na edição do dia 26 exibe o documentário de longa-metragem recém-estreado Abdias Nascimento: Memória Negra, de Antonio Olavo.
Na quinta-feira, dia 27, a sessão das 20h é dedica ao programa O Circo na Tela, homenagem ao Dia Internacional do Teatro e Nacional do Circo, em que serão exibidos o antológico O Circo, de Charles Chaplin, e os curtas Noite de Marionetes e Piruetas, ambos de Haroldo Borges.
Vale destacar que a nova programação do cinema cult dos Barris começa no sábado, porque a sala permanece fechada no feriado da Sexta-feira Santa. E vale reprisar que toda a programação é gratuita, numa promoção da Diretoria de Artes Visuais e Multimeios (Dimas), Espaço Xisto
Bahia, Fundação Cultural do Estado da
Bahia e Fundação Pedro Calmon, em parceria com o Consulado Geral do Japão/Recife, Instituto Goethe de
Salvador, Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões no Estado da
Bahia (Sated/BA), Cooperativa Baiana de Teatro e Casa de Cinema Locadora de Vídeo.
* No dia 21/03 (Sexta-feira Santa), as salas Alexandre Robatto e Walter da Silveira não vão funcionar.
Resumo – Sala Walter da Silveira
Filmes em cartaz: De 22 a 27 de março - Sessões às 15h e 17h30
A Floresta é Minha Escola, de Yoshiharu Nishigaki (Mori-no-gakkou, Japão, 2002) – Estréia (inédito no Brasil)
Duração: 108 minutos Entrada franca.
Apoio: Consulado Geral do Japão/Recife
Elenco: Haruma Miura, Ai Kanzaki, Saburo Shinoda, Rena Komine e Chikara Kotani
Sinopse - Aventuras e desventuras de um grupo de meninos liderados por Masao, filho do dentista Kawai Hideo e sua esposa Shizuko. Uma criança agitada, Masao só se acalma quando está rodeado pela natureza. Ele ama animais e insetos, e pretende montar um zoológico em casa. Um dia ele conhece Miyoko, que veio de Tokyo.
Sessão Cineclube - De 22 a 25 de março – Entrada franca
Sessão única às 20h (exceto dias 26 e 27/03, em que a sessão das 20h será dedicada, respectivamente ao projeto Quartas Baianas e Programação Especial do circo).
Filmes:
- A Princesa das Ostras (Austernprinzessin,ALE,1919)
Direção: Ernst Lubitsch, preto/branco, 47 min.
Elenco: Ossi Oswalda, Victor Janson, Harry Liedtke, Julius Falkenstein, Max Kronert e Curt Bois.
Duração: 47 min. / Censura Livre
Sinopse - A princesa das ostras, uma garota histérica e corrompida, deseja casar-se. É quando aparece o “Príncipe Nucki” - na verdade, apenas o depravado e doentio criado do verdadeiro príncipe – que é imediatamente arrastado para o altar. Ele afoga sua triste sorte no álcool. O verdadeiro Príncipe Nucki também se entrega à bebida.
- Entuziazm (Entuziazm:Simfoniya Donbassa, URSS, 1931)
Direção: Dziga Vertov
Duração: 65 min./Censura 14 anos
Intertítulos em inglês
Apoio: Instituto Goethe
Sinopse – “Nas primeiras cenas do documentário, somos chamados à realidade: Vertov nos mostra a religião que prejudica os princípios de uma revolução, os bêbados e drogados sem lar, alienados de suas potencialidades. As cenas são montadas como um imenso 'estado', uma situação de caos e miséria, a princípio, irreversível. Depois, vemos pessoas que auxiliam os bêbados, tiram-nos das ruas. Igrejas são destruídas pelo povo e sentimos uma mudança nas vibrações do filme. O estado de antes, tão pesadamente composto, começa a se dissolver. Corta: vamos visitar as cooperativas agrícolas onde o trabalho comunitário é enaltecido como forma de superação. Não é uma apologia do trabalho, mas uma concepção de trabalho” (Bernardo Oliveira).
Dia 26/03 -Às 20h
Quartas Baianas
Filme: Abdias Nascimento: Memória Negra, de Antonio Olavo.
Doc. 95 min. 2008.
Sinopse - O filme conta a trajetória de Abdias Nascimento, histórico militante considerado um ícone da cultura negra, atualmente com 94 anos, cuja obra e atuação política ao longo do século XX são essenciais para a compreensão da importância do negro na sociedade brasileira.
Dia 27/03
Sessão única às 20h
Programa O Circo na Tela
Programa especial comemorativo do Dia Internacional do teatro e Nacional do circo.
Realização: DIMAS, Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões no Estado da
Bahia (SATED/BA); Cooperativa Baiana de Teatro, Fundação Cultural da
Bahia, Fundação Pedro Calmon e Espaço Xisto
Bahia.
Apoio: Casa de Cinema Locadora de Vídeo
Curtas:
- Noite de Marionetes, de Haroldo Borges
Duração: 14 minutos/ Censura Livre
Sinopse - O palhaço de um velho circo de periferia sai em busca de sua inspiração e tem um encontro de uma noite com uma prostituta. O filme, que tem como pano de fundo a realidade dos circos do nordeste, fala sobre buscas, sobre sonhos, sobre gente que está o tempo todo tentando modificar seu destino, embora às vezes ele escape de suas mãos.
- Piruetas, de Haroldo Borges
Duração: 14 minutos/ Censura Livre
Sinopse - Um garoto e seu avô têm suas vidas transformadas quando um circo chega na pequena cidade onde eles vivem. O universo mágico do circo sensibiliza, aproxima, e ao mesmo tempo em que resgata no velho uma juventude adormecida, faz com que o garoto deixe de lado a televisão e embarque numa nova brincadeira.
Longa-metragem:
- O Circo, de Charles Chaplin - (The Circus, EUA, 1928)
71 min. / p&b / mudo/ Censura Livre
Elenco: Charles Chaplin, Merna Kennedy, Betty Morrisey, Harry Crocker, Al Ernest Garcia e Henry Bergman.
Sinopse - Confundido com um ladrão, o Vagabundo foge da perseguição da polícia e se vê no meio de um espetáculo circense. Ao tentar se desvencilhar dos policias, ele arranca risos da platéia, que o confunde com um artista, e ele acaba sendo contratado pelo circo. Logo, ele se apaixona pela filha do dono do circo.
Sobre os cineastas:
Lubitsch
Ernst Lubitsch (1982-1947), o genial diretor de elegantes comédias com subtons trágicos ou satíricos, trabalhou bem pouco tempo na Alemanha. Já em 1922, ele foi para Hollywood, onde seus filmes com o famoso “Lubisch-Touch” o tornaram mundialmente conhecido.
Nascido em Berlim como filho de um judeu comerciante de tecidos, Lubitsch sonhava com a carreira de ator. Mas, sua estatura atarracada e seu rosto – tudo menos um rosto de estrela de cinema, sempre visto, mesmo em fotos antigas, com um grosso charuto na boca, que era sua “marca registrada” – eram um impedimento para uma bem sucedida carreira dramática. Onde quer que se apresentasse, Lubitsch sempre provocava gargalhadas, e isto o levou a estabelecer-se com um certo sucesso como comediante cinematográfico, a partir de 1913. Porém, seu verdadeiro talento era a direção. Já em 1915, ele encenava seus primeiros filmes de um e dois atos. Seu primeiro sucesso como diretor foi em 1916 com o filme “Schuhpalast Pinkus”.
Vertov
Filho de judeus intelectuais residentes em Bialystok, Dziga Vertov (1896-1954) nasceu Denis Kaufman na Ucrânia. Estudou música no conservatório da cidade até a invasão alemã que o obrigou a mudar-se para Moscou. Lá, trava conhecimento com o Futurismo de Marinetti, enquanto se dedica à poesia e à ficção científica. Neste momento adota o pseudônimo: Dziga Vertov, uma tremenda ironia. Vertov é derivado do verbo girar, rodar ou fazer rodar; Dziga, segundo o próprio, é a onomatopéia do girar da manivela em uma câmara (dziga, dziga,...). Dziga Vertov, como uma máquina que ainda não filma, mas registra e percorre o mundo com os olhos, um ser-máquina.
Em 1916 vai para São Petersburgo estudar medicina, ao mesmo tempo que inicia experiências de montagens a partir de gravações sonoras. Dois anos depois dá partida na carreira cinematográfica como diretor do primeiro programa oficial de atualidades, o cinejornal Kinonedelia. Conhece sua futura colaboradora e esposa, Elizaveta Svilova, com quem formará mais tarde o Conselho dos Três. Em 1922, batiza seu trabalho próprio Kinopravda, em homenagem ao jornal fundado por Lenin. Vertov, seu irmão Phillip Kaufman e Elizaveta formam o Conselho dos Três acerca dos trabalhos do Kinopravda. Em 1922 publicam a Resolução do Conselho dos Três, decretando a morte do cine-drama alemão e da "ausência de fundamento do cinema americano", embora o próprio manifesto faça ressalvas sobre "a velocidade das imagens e os grandes planos".