Forte São Marcelo firma-se como moderno centro cultural

Publicado em: 17/03/2008 - 19h15min

Restaurado e entregue à população pelo prefeito João Henrique há dois anos, o Forte São Marcelo - antiga fortaleza construída no século XVII (1640) para defender a Bahia dos ataques estrangeiros - é hoje um moderno centro cultural. Para marcar os dois anos de sua revitalização, e dentro das comemorações pelos 459 anos de fundação de Salvador, o Forte apresenta no dia 28, às 19 horas, uma réplica de caravela quinhentista, já batizada como Caravela Príncipe Regente, que será usada em tours diurnos e noturnos pela Baía de Todos os Santos, transformando-se em mais uma atração para os visitantes da cidade.

Responsável pela administração do Forte São Marcelo, que é feita pela Associação Brasileira dos Amigos dos Fortes (Abraf), o seu presidente, coronel Anésio Ferreira Leite, informa que mais de 100 mil pessoas já passaram por ali desde a sua reabertura, assegurando que "esse é um número significativo, uma conquista".  Ele conta que neste mês de março, o local recebe estudantes de diversas escolas particulares que chegam em grupos quase diários. Anunciou o Projeto Forte Arte que, através de convênio firmado com a Secretaria Municipal da Educação e Cultura, prevê a vinda de 78 grupos de 40 alunos das escolas municipais durante este ano.

Cada grupo fará o roteiro que inclui o Terminal Náutico da Bahia, passeio até o Farol da Barra, Monte Serrat e o Forte São Marcelo. Durante o passeio, monitores trajados com roupas de época - do Primeiro Regimento de Artilharia da Bahia, de 1777 - contam a história de monumentos, personagens e a evolução física e histórica da cidade. Além do transporte (ida e volta) terrestre e o passeio de barco, os estudantes ganham lanche, participam de hasteamento da bandeira, cantam o Hino Nacional, assistem a apresentação cênica e visitam as exposições que ali estão abertas permanentemente.

Valores históricos
 
O Forte São Marcelo também ganhou inédita iluminação pública, graças à parceria com o governo do Estado e a Coelba e já está reincorporado à vida de baianos e turistas. "A sua reabertura é uma demonstração de amor e respeito para com os valores históricos de Salvador", ressalta o prefeito João Henrique, lembrando a situação de abandono em que se encontrava o monumento quando de sua posse.

Após uma primeira visita, o passo seguinte foi procurar parceiros na iniciativa privada para a recuperação da fortaleza. "Graças a Deus, tivemos êxito, pois as lojas Insinuante e a LG se interessaram pelo projeto", reconhece o prefeito. As duas empresas abraçaram a idéia e hoje o São Marcelo mantém um espaço cultural LG & Insinuante com 14 salas para exposição, auditório, museu e restaurante, abertos aos visitantes. Os sistemas elétrico e hidráulico e de iluminação também foram restaurados. Presidente da Insinuante, Luis Carlos Batista disse que a parceria com a LG é um presente para a cidade, onde as primeiras lojas foram instaladas. O vice-presidente da LG no Brasil, César Byung, destacou o papel da educação na transformação do povo, resgatando sua história.

Foram sete meses de obras em que a Prefeitura, através da Superintendência de Urbanização da Capital (Surcap), realizou a recuperação física do forte. A argamassa das paredes interna e externa foi reconstituída e recebeu pintura cílico-mineral própria para prédios históricos. O torreão central recebeu o mesmo tratamento. Foram implantadas novas redes de água e esgoto para a instalação de três conjuntos de sanitários, inclusive para pessoas portadoras de deficiência. À noite, os habitantes de Salvador podem visualizar a nova iluminação cênica com os holofotes posicionados na fachada e internamente. A reforma seguiu a orientação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

O Forte São Marcelo também foi considerado pelo Guia de Turismo Quatro Rodas, da Editora Abril, como a melhor obra de restauração do Brasil no ano de 2006.  Para marcar uma visita, a pessoa interessada deve entrar em contato com a administração pelo número (71) 3495-8359.

Patrimônio preservado

O Forte é administrado pela Associação Brasileira dos Amigos dos Fortes (Abraf), presidida pelo coronel Anésio Ferreira Leite. Os visitantes podem conhecer melhor a história, apresentada em três temas: Memórias do Mar, Memórias da Cidade e Memórias do Forte, contada pelo museu que, para isso, utiliza recursos de tecnologia digital e simulação virtual. Essas mostras conduzem os visitantes a navegar pela memória da baía às histórias da fundação de Salvador, a conhecer o patrimônio histórico da cidade e os relatos que envolveram a construção do forte e sua utilização estratégica na defesa da cidade.

O coronel Anésio Leite informa que a Abraf vai realizar um trabalho permanente de interpretação cênica - ligado aos fatos históricos mês a mês. Agora em março, a pauta é a fundação da cidade do Salvador. Ele informa que até dezembro serão feitas pelo menos nove interpretações. A Abraf, diz o coronel, está também preocupada com o meio ambiente e vai realizar trabalho paralelo com as ações já desenvolvidas no Forte São Marcelo, agora com foco ambiental. "O forte tem tudo a ver com a preservação do meio ambiente e vamos estar levando aos jovens, adolescentes e crianças que nos visitam a compreensão com foco na preservação da Baía de Todos os Santos", disse. Para tanto, já estão sendo feitos acordos com ONGs, o Centro de Recursos Ambientais, Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos.

História

Salvador é uma cidade que, desde a fundação, investiu na sua defesa, através da construção de muitos fortes e o São Marcelo é um dos mais importantes pontos de proteção de seu porto. O Forte do Mar, como também é conhecido, foi alvo de ocupações e enfrentou batalhas decisivas contra os corsários que atacavam a cidade nos três primeiros séculos de colonização. Inicialmente construído em madeira, foi edificado em alvenaria em 1623, portando 19 armamentos de defesa. Em 1650, começaram as obras que lhe deram o tão peculiar formato circular. Em 1812, as últimas reformas finalizaram a formatação atual. Embora seu nome inicial tenha sido Forte de Nossa Senhora do Pópulo de São Marcelo, era popularmente conhecido como Forte do Mar.

Ocupado pelos conquistadores durante a Invasão Holandesa de 1624, dele os inimigos dispararam balas incendiárias, aterrorizando os moradores soteropolitanos. Já na tentativa de ocupação liderada pelo holandês Maurício de Nassau, em 1638, o Forte teve papel decisivo para manter a esquadra do conquistador à distância.

Em 1650 foram iniciadas as obras de enrocamento (uma técnica de construção) em torno do recife com pedras. Após essa etapa, em 1656, começou a ser erguida a muralha do torreão, em pedra de granito. Em 1664 progrediam as edificações da cisterna e os compartimentos dos 12 quartéis. Outro trabalho culminou com um terraplano de 241 metros de circunferência. Outras obras, entre 1810 e 1812, concluíram a configuração atual do forte, com artilharia de 46 peças de ferro e bronze de diversos calibres.
Portal Salvador

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