Porto de Salvador em último lugar no ranking

Publicado em: 11/03/2008 - 11h31min

Com carência de equipamentos, espaço saturado, maquinário obsoleto e alto índice de perdas de cargas – que chega a 39% do total conteinerizado no território baiano –, o Porto de Salvador é o principal retrato das deficiências do sistema portuário brasileiro. Uma pesquisa com 200 executivos de companhias usuárias, concluída em janeiro pelo Centro de Estudos em Logística (CEL), ligado ao núcleo de pós-graduação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, posicionou o porto da capital baiana na última colocação entre os 18 principais portos do país. Enquanto a média nacional foi de 6,3 pontos, o Porto de Salvador ficou com meros 5,1, ganhando o título de pior porto do Brasil.
          
O levantamento constatou que 65% dos usuários entrevistados consideram o Porto de Salvador deficiente, 12% acham regular, 18% bom e apenas 5% o qualificaram como excelente. Além disso, o estudo indicou que em Salvador houve, no período analisado (2001 – 2006), redução de carga. O volume anual, em média de três milhões de toneladas, caiu 7% em 2006 e teve apenas ligeira recuperação no ano passado, com 3,9 milhões de toneladas. Apenas os terminais privados de Ponta da Madeira, no Maranhão, e Tubarão, no Espírito Santo, e o porto público de Suape, em Pernambuco, foram considerados de padrão excelente.
          
Segundo dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), o Porto de Salvador ocupou a 29ª posição no ranking de movimentação de cargas em 2006 (último levantamento da entidade), com aproximadamente 2,8 milhões de toneladas (t), representando apenas 0,40% do comércio exterior brasileiro. Regionalmente, o porto da capital baiana, em 2006, ficou atrás de quase todos os portos do Nordeste, a exemplo de Suape (Pernambuco), que atingiu 5,2 milhões de toneladas, Maceió (4,7 milhões/t) e Aracaju (3,7 milhões/t). Já o de Aratu (BA), atingiu a sétima posição, com 28,1 milhões de toneladas, e o de Ilhéus (BA) ficou na 39ª, com 773,6 mil toneladas.
          
“A economia do estado cresceu, temos um novo perfil, predominantemente industrial, e os portos baianos não se preparam para isso. Por isso estão à beira de um colapso”, declara o diretor executivo da Associação dos Usuários de Terminais Portuários de Salvador (Usuport), Paulo Villa, complementando que, no caso do Porto de Salvador, já são 40 anos sem receber intervenções para aumento da capacidade. Falta de infra-estrutura, ausência de regulação, espaço limitado, monopólio da administração e tarifas altas são, segundo ele, os fatores determinantes para que os portos baianos percam cada vez mais competitividade.
          
O dirigente comenta que muita carga que poderia estar vindo para o estado está sendo direcionada para outros portos brasileiros, a exemplo de Suape, Pecém (Ceará), Rio de Janeiro, Santos (SP) e Vitória (ES). “Em 2007, o total de fuga de cargas baianas por portos de outros estados foi de 2,5 milhões de toneladas. Somente a fuga conteinerizável (649 mil toneladas) gerou um prejuízo para a economia baiana de cerca de R$150 milhões”, afirma ele, informando que o setor mais prejudicado é o de frutas, pois cerca de 50% do que é exportado está sendo embarcado através dos portos de Suape e Pecém. Produtos baianos como algodão, couro, café, e madeira perfilada estão sendo movimentados pelo Porto de Santos.
          
Segundo dados da Usuport, Salvador só possui um berço para embarque e desembarque de contêineres, quando deveria ter no mínimo dois. No Ceará, por exemplo, apesar da movimentação de cargas anual ser inferior, existem três berços. “Com esse quadro desfavorável, estamos deixando de gerar emprego e renda, além de arrecadação para o estado. Afinal, se a empresa tem dificuldade de competir, ela precisa reduzir seus custos”, ressalta Villa, acrescentando que os portos baianos, mais especificamente o de Salvador e Aratu, não conseguem mais atender à demanda.
          
Codeba aposta em projetos para 2008
          
Apesar de reconhecer os atuais problemas dos portos baianos, o diretor-presidente da Codeba, Marco Antônio Rocha Medeiros, que está à frete da entidade há quatro meses, prefere apenas destacar o bom desempenho dos mesmos em 2007 – que, juntos, atingiram a marca de 10,6 milhões de toneladas – e citar alguns projetos da companhia para este ano. “Como é crescente a movimentação de cargas no Porto de Salvador, é essencial a construção de um novo terminal de contêiner e a construção de uma via expressa portuária de 5,1 km de extensão, ligando a BR324 ao Porto de Salvador. Além disso, precisamos aumentar a dragagem de Salvador e Aratu, dos atuais 12 metros para 15 metros, com investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC)”, diz, sem revelar maiores detalhes.
          
Para o Porto de Aratu – responsável por 60% da movimentação do comércio exterior baiano – ele diz que está prevista a construção de dois novos terminais, um de sólidos outro de líquidos, através da iniciativa privada; a ampliação emergencial do pátio de estocagem; e o projeto de repotencialização do sistema de movimentação de granéis sólidos, visando modernizar todos os equipamentos que compõem o sistema, permitindo um ganho de rendimento de produtividade com redução do tempo de espera e demurrage (multa paga pelo contratante, quando o navio contratado demora nos portos, mais do que o acordado). Já no de Ilhéus, está previsto uma obra emergencial de recuperação da retroárea; a contenção da infra-estrutura do cais; e previsão de dragagem a barlamar.
          
Quanto aos preços abusivos cobrados no Porto de Salvador, Medeiros afirma: “As nossas tarifas portuárias são relativamente baixas e, em alguns casos, até irrisórias, quando comparados aos demais portos brasileiros. As tarifas ficaram congeladas por dez anos e o reajuste conseguido recentemente foi inexpressivo em vista de nossas necessidades”. Porém, quando o assunto são as filas para as embarcações atracarem, ele assume o problema: “No Porto de Salvador há filas no terminal de contêiner, com cerca de sete horas de espera. No Porto de Aratu, depende do píer, variando de um dia a dez dias de espera”.
Fonte:Correio da Bahia/Bahia Náutica

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