Como resultado dos cinco workshops realizados em fevereiro, dentro do Projeto Interação Dança-BTCA Residência, o Balé Teatro
Castro Alves selecionou a João Perene Cia de Dança para uma residência artística, que começa no próximo dia 10 de março e se estenderá até meados de maio, no TCA. Nesse período, será desenvolvida a montagem proposta pelo coreógrafo João Perene, reunindo em um mesmo espetáculo os elencos das duas companhias. Essa coreografia inédita, ainda sem título definitivo, estreará no final de maio. “Pela primeira vez, uma companhia independente irá participar de um trabalho conjunto com o BTCA”, destaca o diretor artístico Paullo Fonseca. Ele adianta que a coreografia, voltada para a pesquisa do movimento, fará um diferencial da vertente dança-teatro que está sendo trabalhada simultaneamente pelo BTCA e a diretora Nehle Franke, dentro de outro projeto, o BTCA Convida, que o público conhecerá também este semestre.
O coreógrafo João Perene, cuja companhia foi criada há cinco anos e é formada por quatro bailarinos, disse que o convite do BTCA para participar do workshop “foi uma surpresa para nós, enquanto bailarinos baianos, que temos como referência o BTCA”. Foi uma surpresa para os dois lados, acrescenta, “porque não tínhamos essa aproximação com o BTCA, nem eles a noção do que se passava com a nossa companhia”. Quanto ao processo criativo do trabalho que será realizado, João Perene explica que, devido ao tempo curto, “não poderei impor minha linguagem. Usarei os recursos técnicos do BTCA e da nossa companhia, para criar uma terceira linguagem”.
Integração - A experiência com o BTCA foi elogiada por outros profissionais que também participaram dos workshops. Clara Trigo, da Sua Cia de Dança, grupo formado há seis anos “por quatro criadores que são ao mesmo tempo coreógrafos, produtores, dançarinos e diretores,” disse que “foi excelente a idéia da atual gestão do BTCA, porque o balé costumava ter um isolamento dos outros grupos de dança da cidade; não havia integração nem troca de experiências para saber o que a gente anda pesquisando na dança.” O grupo não apresentou proposta de residência devido ao cronograma de atividades já elaborado para este ano, explicou.
Referência no Brasil - Uma das mais antigas de
Salvador, formada por oito bailarinos, a Jorge Silva Companhia de Dança nasceu há 25 anos. O seu fundador, o coreógrafo Jorge Silva, afirmou que, “como uma companhia que não tem apoio oficial, foi gratificante poder contar com a estrutura cultural e artística do BTCA, um dos mentores da dança na
Bahia, que tem referência muito importante no Brasil, e agora está usando a sua força. Temos que respeitar muito este balé”, acrescentou.
Além das companhias João Perene, Sua e Jorge Silva, também participaram do Projeto Interação Dança-BTCA Residência, as cias. Dimenti e Viladança. O projeto de residência foi escolhido por uma comissão presidida por Paullo Fonseca, composta por de quatro bailarinos do BTCA: Evandro Macedo, Lícia Moraes, Marcos Napoleão e Constanze Melo. O BTCA é mantido pela Secretaria de Cultura do Estado, através da Fundação Cultural e Teatro
Castro Alves.