Bahia deve ganhar novo complexo portuário

Publicado em: 05/03/2008 - 09h22min

A Bahia vai ganhar um novo complexo portuário. Conhecido como Porto Sul, o empreendimento será construído no município de Ilhéus e deve envolver recursos estimados em cerca de R$4 bilhões.
          
De acordo com o secretário da Indústria, Comércio e Mineração (Sicm), Rafael Amoedo, a nova unidade vai auxiliar no escoamento de produtos como minério, grãos e cargas conteinerizadas, ajudando a diminuir os prejuízos provocados pelos atuais gargalos encontrados nos portos de Aratu, Ilhéus e Salvador. “É um projeto localizado em uma região privilegiada, que vem integrar outros importantes modais logísticos, como o novo aeroporto de Ilhéus, a ferrovia Oeste-Leste e a própria BR-101”, avalia.
          
Segundo o secretário, dentro de aproximadamente 60 dias será concluído o edital de licitação para a construção do complexo, que será instalado em uma área de 1.771 hectares, situada no sentido Ilhéus-Itacaré. O governo da Bahia já havia, inclusive, publicado no Diário Oficial um decreto desapropriando o terreno onde será implantada a nova unidade portuária. “A previsão é que no final de 2010, o novo porto já esteja em operação”, afirma. Com relação à forma de gestão do equipamento, que inclui alternativas como concessão ou PPP, Amoedo esclarece que haverá ainda uma segunda licitação para definir o modelo de administração da unidade.
          
Com a nova planta, o governo espera reintegrar o estado aos grandes eixos territoriais de desenvolvimento da produção no país. A expectativa é que o novo equipamento possibilite, por exemplo, a conexão de toda a região Centro-Oeste à costa atlântica, gerando um novo corredor de comércio exterior, ancorado em novos pólos industriais, comerciais e de serviços. Entre as demais regiões beneficiadas com o projeto está o oeste baiano, um dos principais pólos da agricultura estadual.
          
Problemas - Na avaliação do diretor executivo da Associação dos Usuários dos Terminais Portuários de Salvador (Usuport), Paulo Villa, apesar de bem-vindo, o novo complexo não altera em nada os problemas hoje enfrentados pelos portos públicos da Bahia – a exemplo da fuga de cargas privadas. “No ano passado, cerca de 2,548 milhões de toneladas de cargas baianas foram movimentadas por portos de outros estados, quase o mesmo resultado do ano anterior”, revela. Desse total, 650 mil toneladas eram conteinerizadas – volume 6% maior que o observado no balanço de 2006 e um prejuízo da ordem de R$150 milhões por ano. “Com esse valor, daria para construir um novo terminal de contêineres”, comenta.
          
Entre os motivos para a fuga de mercadorias está a falta de uma infra-estrutura portuária adequada para o atendimento à atual demanda, aliado ainda às constantes filas de embarcações marítimas. O dirigente informa que o Espírito Santo é o estado que mais tem se beneficiado com esse cenário. “É de lá que embarca, por exemplo, a celulose produzida no sul da Bahia, mesmo a produção baiana ficando apenas a 165 km do Porto de Ilhéus. Já a unidade portuária de Santos, em São Paulo, é a segunda que mais se beneficia dessa situação”, relata.
Bahia Náutica

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