Com nove leitos cadastrados e seis deles funcionando em caráter intensivista na Unidade de Terapia Intensiva, o Hospital de Base Luiz Eduardo Magalhães (HBLEM) poderá triplicar a sua capacidade chegando a 27 vagas de UTI, segundo o diretor-médico João Antônio Carvalho. O projeto precisaria de um investimento superior a R$ 1 milhão e ajudaria a atenuar o problema da carência de leitos para terapia intensiva na região, que tem 123 municípios e uma população de 3,5 milhão de habitantes atendidos referencialmente no pronto socorro do HBLEM.
Hoje, existe uma fila de pacientes para a UTI, não só de pessoas internados no próprio hospital, como também de outros municípios, entre os quais um homem internado há 30 dias no Hospital de Base de
Porto Seguro, com traumatismo craniano e que continua aguardando uma vaga no HBLEM. O paciente apresentava segundo o relatório recebido em
Itabuna sinais de confusão mental e lesões crônicas, podendo morrer se não tiver atendimento adequado.
Pilares
Ele lembra que uma UTI em plena operação depende de três pilares: um respiradouro artificial, que custa cerca de R$ 40 mil; um monitor multiparâmetro, de R$ 15 mil e de quatro bombas de infusão: “A questão da equipe plantonista não é problema porque temos médicos e enfermeiros treinados, mesmo assim, a ativação de novas unidades vai exigir a contratação de 40 pessoas para o quadro de apoio”, explicou.
João Antônio Carvalho conta ainda, que em função da demanda de serviços, os nove leitos disponíveis para a UTI estão sendo utilizados, sendo que seis em regime intensivista e outros três para pacientes que não precisem de respiradouro artificial ou monitoramento. No hospital existe espaço disponível e condições para ativação de mais sete leitos na UTI, o que também depende de recursos e investimentos.
Outra opção que pode ampliar o atendimento na terapia intensiva são as 11 vagas já reservadas para a Unidade Coronariana, que tem equipamentos implantados e será inaugurada nos próximos dias: “Estamos negociando com o estado a cessão dos equipamentos para os leitos da UTI, que também tem um custo de manutenção e operacional muito alto”.
Custo
Hoje, segundo o diretor médico do Hospital de Base, o SUS remunera por leito de UTI o equivalente a R$ 195,00 por dia, para um custo efetivo de R$ 800,00, o que dificulta a manutenção dos serviços e os investimentos em equipamentos e tecnologia, o que considera um problema não do HBLEM, mas da própria estrutura da saúde do país. Em função de custos, a ampliação do número de leitos na terapia intensiva dependeria de incentivos das diversas esferas de poder, ou seja União, Estado e Município através de convênios e parcerias para um hospital mantido com recursos do SUS como o HBLEM.
Ao observar que em 1995, quando assumiu a diretoria médica do hospital estavam funcionando apenas três leitos de terapia intensiva no hospital, dos quais dois operando com respiradouros antigos e que tiveram de ser substituídos., ele destaca a possibilidade de ativação de mais 18 leitos, dos quais 11 da unidade coronariana em implantação.
Para João Antônio, uma equipe da Secretaria de
Saúde do Estado que esteve visitando recentemente o Hospital de Base ficou impressionada com o projeto da unidade coronariana: “O problema é que é um luxo ficar com leitos desativados ou parados por falta de equipamentos, porque para nós recursos humanos não é problema”, finalizou.