Chega a Salvador exposição de Iberê Camargo

Publicado em: 08/11/2007 - 11h22min

A exposição Gravuras de Iberê Camargo - Percursos e Aproximações em uma Poética é uma iniciativa do Governo da Bahia, através da Secretaria de Cultura e Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (IPAC), em parceria com a Fundação Iberê Camargo, do Rio Grande do Sul. São 63 gravuras em metal produzidas em diferentes fases da vida do artista que serão apresentadas em cinco núcleos do Palacete das Artes, de 14 de novembro (2007) a 20 de janeiro (2008). A abertura para convidados acontece no dia 13, das 19h às 22h, na sede do Palacete, localizado na Rua da Graça, nº292, em salvador.

“Iberê Carmargo é uma referência internacional das artes plásticas no Brasil, um dos nomes da arte do século XX, e sua exposição é uma grande oportunidade para o público baiano”, diz o diretor do IPAC, arquiteto Frederico Mendonça. Antes da obra gravada de Iberê, os baianos receberam, em 2004, a retrospectiva Iberê Camargo: Diante da Pintura, exibida no Museu de Arte Moderna (MAM) também administrado pelo IPAC, com 77 trabalhos que envolveram pinturas, desenhos e gravuras.

A curadoria da atual exposição é assinada por Mônica Zielinsky, professora do Instituto de Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e coordenadora do projeto de catalogação da obra de Iberê Camargo e do Catálogo Raisonné de Iberê Camargo - Volume 1 - Gravuras, publicado no ano passado pela Fundação Iberê Camargo com o patrocínio da Petrobras e edição da Cosac Naify.

Mônica Zielinky se debruça agora na catalogação do restante da produção de 55 anos de Iberê, no qual estão incluídas pinturas, desenhos, guaches e cerâmicas. Nessa nova e complexa etapa, colecionadores, museus e instituições do Brasil e exterior têm a oportunidade de participarem do processo de resgate da memória do acervo pelos telefones 51- 3247-2666 /3247-2940 ou pelo site www.iberecamargo.org.br.

Cinco núcleos e a essência de Iberê

No núcleo intitulado Da identificação à Síntese, foram selecionadas um conjunto de gravuras que trazem à luz questões essenciais das primeiras obras de Iberê Camargo. As peças exemplificam como o mundo estrutura as primeiras tentativas do artista até transformar-se, no decorrer do seu trabalho, em um caminho constituído por vários momentos de reconstituições, regressões e transformações dessas identificações originais, em direção a uma progressiva síntese.

Em Transformações na Síntese, segundo núcleo, estão expostas as diferentes possibilidades com as quais Iberê abordou este processo em suas gravuras finais. Nelas, são enfatizados o desnudamento total, o abandono de acessório, potencializados nas figuras delineadas em água-forte. No terceiro núcleo, Trânsitos no Tempo, as gravuras encontram-se deslocadas de seu alinhamento histórico. Sua aproximação ocorre por analogias entre as escolhas de Iberê em relação ao tratamento da matéria das gravuras.

Obras de tempos mais remotos da produção do artista e algumas mais recentes são contrapostas. A idéia é evitar apreensões fixas das gravuras, oferecendo novas descobertas na abordagem da obra gravada de Iberê. Para o quarto segmento, Alternâncias na Matéria, é proposta uma análise dos aspectos técnicos das obras, realizadas em espaços de tempo determinados. Neste núcleo, destacam-se recursos no emprego dos vazados e do rebaixamento na matriz, chegando, por uma tensão expressiva, à perfuração desta.

E para finalizar, o núcleo Em Direção à Expansão oferece ao público um percurso cronológico do processo de criação de Iberê, onde pode ser constatado o forte ímpeto experimental que o artista sempre irradiou em seu trabalho. Para Mônica, a exposição mostra a insubstituível experiência vivida nos processos de produção do artista. “Iberê pensou a vida e a arte. Mostrou-se crítico em relação a elas e recusou a simplificação e a percepção fixa e modelar. Nesse sentido, a obra gravada de Iberê vai além de si mesma. Projeta para sempre a atualidade da gravura moderna brasileira, sua abertura a transformações e à vocação interdisciplinar”.

Iberê Camargo é um artista de rigor e sensibilidade únicos. Considerado um dos grandes nomes da arte do século XX no Brasil, ele é autor de obra extensa, que inclui pinturas, desenhos, guaches e gravuras. Nascido em Restinga Seca, interior do Rio Grande do Sul, em novembro de 1914, passou parte de sua vida no Rio de Janeiro.

Desde a juventude mostrou-se atraído por personalidades independentes, como Guignard e Goeldi. Na Europa, estudou com mestres como Giorgio de Chirico, Carlos Alberto Petrucci, Antônio Achille e André Lothe. Ao longo de sua vida, Iberê exerceu forte liderança no meio artístico e intelectual. Sua obra foi reverenciada em exposições internacionais como nas Bienais de São Paulo, Veneza, Tóquio e Madri, além de integrar inúmeras mostras no Brasil e em países como França, Inglaterra, Estados Unidos, Escócia, Espanha e Itália. O pintor morreu aos 79 anos, em Porto Alegre, em agosto de 1994, deixando acervo de mais de sete mil obras.

Outras informações sobre o Palacete das Artes, visitas agendadas e programações culturais, com exposições, recitais de música e oficinas de arte, são disponibilizadas através do e-mail palacetedasartes@gmail.com, ou dos Tels. 3117-6983 3117-6986.

SERVIÇO

Exposição: Gravuras de Iberê Camargo - Percursos e Aproximações em uma Poética
Curadoria: Mônica Zielinsky, coordenadora do projeto de catalogação da obra de Iberê Camargo e coordenadora do volume 1 - Catalogue Raisonné de gravuras de Iberê, publicado em 2006 pela editora Cosac Naify
Visitação: de 14 de novembro a 20 de janeiro
Local: Palacete das Artes (Rua da Graça, 292, telefone: 3338-6400)
Horários: Terças a domingos, das 10 às 18 horas
Acesso: Gratuito

Secult

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