Publicado em: 23/02/2008 - 10h52min
Os usuários do sistema ferry-boat, em Salvador, devem contar, por tempo indeterminado, apenas com duas embarcações para realizar a travessia São Joaquim – Bom Despacho. Na tentativa de atender a demanda excessiva ou suprir situações de emergência, a TWB, concessionária do sistema ferry-boat, disponibilizou um catamarã para operar enquanto os quatro equipamentos são reparados.
Com capacidade para 220 passageiros, estará temporariamente com o preço da tarifa igual ao do ferry: R$3,35 por pessoa nos dias de semana e R$4,35 nos fins de semana e feriados. A expectativa da empresa é que, até ontem (22), o ferry Maria Bethânia volte à ativa.
O fluxo intenso de viagens durante a Operação Carnaval, realizadas 24 horas durante dez dias, é a causa apontada pela TWB para que quatro embarcações estejam paradas. Nas últimas inspeções da Capitania dos Portos, 15 e 18 de fevereiro, os ferries Ipuaçu, Maria Bethânia, Pinheiro e Agenor Gordilho foram retirados de circulação, devido à identificação de deficiências relacionadas à segurança da navegação. A justificativa para o déficit de equipamentos é a idade, 30 anos, apontada como fator fundamental para a necessidade de reparos constantes, principalmente após trabalho ininterrupto em períodos longos.
Nem mesmo o ferry Maria Bethânia, reformado há pouco tempo em Sergipe, está livre dos problemas. O presidente da TWB, Reinaldo dos Santos, esclarece a necessidade de reparos: “As embarcações sofreram a fadiga natural de uma operação árdua e isso exige manutenção com mais intensidade. Todo dia realizamos manutenção”. Ele assegura que os equipamentos em operação são suficientes para atender a demanda. E garante que até a Semana Santa os seis ferries estarão em funcionamento.
Problemas - Durante as inspeções rotineiras, que não são informadas com antecipação, a Capitania dos Portos encontrou um sem-número de irregularidades. Em função do laudo, determinou a retirada de operação das embarcações. O capitão dos portos da Bahia, capitão de mar-e-guerra Muniz de Aragão, afirma que, após o término dos reparos e a aprovação do órgão, os ferries poderão operar normalmente, sem apresentar qualquer risco aos passageiros.
Dentre os problemas encontrados, o capitão dos portos cita o mais significativo de cada embarcação. No Ipuaçu, inspecionado dia 14, uma abertura na proa facilitava a entrada de água no local onde passa a corrente da âncora. Já o Maria Bethânia não conseguia reverter a máquina de imediato (sistema que opera semelhante a um freio). “A deficiência é relativamente simples e sabemos que o equipamento saiu recentemente de uma revisão”, afirma.
Já o Pinheiro estava com a bomba de combate a incêndio inoperante, assim como o gerador de energia elétrica de emergência. O Agenor Gordilho, inspecionado anteontem, está com o certificado de segurança vencido e precisa ser renovado, além das demais deficiências técnicas identificadas. Quanto à idade das embarcações, capitão Muniz de Aragão esclarece que o fator não influência tanto nos problemas, caso seja feita manutenção adequada. “Na Marinha do Rio de Janeiro temos um rebocador de 1914 operando diariamente em ótimas condições”, exemplifica.
A Agerba, órgão fiscalizador e regulador do sistema ferry-boat, informou através da assessoria de imprensa que a Capitania dos Portos havia estabelecido a inoperância das quatro embarcações após o Carnaval, para passarem por inspeções. Como a TWB não comunicou aos passageiros sobre a determinação, o diretor executivo da Agerba, Antônio Lomanto Netto, definiu o uso do catamarã até a regularização da situação.
Operação constata trabalho insalubre
A operação realizada pela Capitania dos Portos contou também com a presença do Ministério Público do Trabalho (MPT) e a Delegacia regional do Trabalho (DRT). O objetivo era inspecionar a saúde e a segurança do trabalhador. A assessoria de imprensa do MPT informou que esse problema com a TWB é constante. Durante a operação, foram encontradas situações insalubres em relação a questões sanitárias e de conforto, existência de barulho excessivo, calor, vibração, além da emissão de gases e vapores na praça de máquina das embarcações.
O procurador do Trabalho, Luís Antônio Barbosa Silva, coordenador do núcleo de trabalho portuário do órgão, ainda não concluiu o laudo para notificar oficialmente a TWB. Após a entrega do relatório final, o MPT pode atuar de duas formas: firmar um Termo de Ajuste e Conduta (TAC) ou ajuizar uma ação civil pública, em casos de descumprimento das determinações. O presidente da TWB, Reinaldo dos Santos, afirmou não ter conhecimento oficial dos problemas, e garantiu que, ao ser notificado, tomará as medidas necessárias para atender às decisões do MPT.
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