A primeira companhia de dança oficial do Norte/Nordeste e a quinta do país, criada em 1981, o Balé Teatro
Castro Alves passa, a partir deste ano, por uma mudança profunda em seu modelo de gestão e de atuação. O grupo, residente no Teatro
Castro Alves, agora terá sua gestão mais próxima da Diretoria de Dança da Fundação Cultural (Funceb), responsável pela polítca cultural de Dança no estado.
”Participamos da elaboração dessa nova proposta e é algo que concordamos e que saiu das discussões internas que realizamos em 2007. Essa interação com a Fundação e com outras companhias será positiva para o Balé e para o próprio teatro, que este ano foca suas ações na parte técnica e na formação profissional”, afirma Moacyr Gramacho.
De acordo com Lúcia Matos, a diretora de Dança da Funceb, o objetivo é fazer com que o Balé dialogue cada vez mais com a cena de dança contemporânea estadual, nacional e internacional. ”O BTCA hoje absorve uma parcela muito expressiva do orçamento para a dança na
Bahia e é fundamental que sua excelência artística seja colocada também a serviço do desenvolvimento e fortalecimento desse setor da cultura em todo o território baiano”, observa, e completa: ”Vamos manter o foco na excelência artística do BTCA e queremos que a área da dança na
Bahia tenha um grande desenvolvimento em toda a sua cadeia produtiva, incluindo a existência e consolidação de várias outras companhias”.
Paulo Fonseca explica que esse objetivo começa a ser contemplado com a montagem do novo repertório para o Balé: ”Estamos investindo em experiências que possibilitem uma interação maior da estrutura do TCA e do corpo de baile do BTCA com outros grupos de dança, coreógrafos e linguagens artísticas, além de manter um projeto voltado especialmente para a preservação da memória do repertório consolidado pelo grupo ao longo desses mais de 25 anos”.
Uma outra aposta do novo BTCA é na valorização do corpo estável da companhia, que a partir de julho, quando vencem os últimos contratos dos bailarinos incorporados à companhia pelo REDA - Regime Especial de Direito Administrativo, contará com 28 bailarinos concursados com idade mínima de 30 anos. Uma das principais mudanças implementadas pela nova gestão foi a extinção da divisão entre o BTCA I, com reconhecimento internacional, e o BTCA II, com bailarinos acima de 35 anos e menos representatividade. Os dois grupos agora voltam a integrar um único corpo estável, e a partir dessa diversidade, novas coreografias serão montadas. ”Acreditamos que essa divisão é discriminatória porque a expressividade e habilidade técnica do bailarino não depende apenas de seu vigor físico, mas de suas vivências, experiências e maturidade cênica”, ressalta Fonseca.
Há mais de dez anos sem concurso público para bailarinos efetivos, a incorporação de profissionais para montagem dos espetáculos do antigo BTCA I vinha sendo feita através de contratos temporários com duração de quatro anos. A opção por não renovar os contratos este ano tem como objetivo valorizar o corpo estável do Balé e testar um novo repertório para o BTCA. Com o elenco mais enxuto, o Balé poderá se apresentar numa variedade maior de palcos e ganhará mais mobilidade. “O investimento que seria feito nos bailarinos contratados via REDA será redirecionado para a criação de um novo repertório e para o desenvolvimento de atividades de extensão. Vamos experimentar outros formatos para os nossos espetáculos e ampliar as funções do BTCA”, destaca Fonseca.
De acordo com ele, será fundamental desenvolver um trabalho técnico que envolva todos os bailarinos, independente da idade, amadurecendo as peculiaridades e o potencial de cada integrante do grupo. “Ao final desse processo, teremos uma avaliação mais precisa de qual a necessidade de contratação de novos profissionais e quais os melhores meios para fazer isso”, explica Fonseca, que não descarta a contratação de bailarinos para 2009. Para o novo diretor artístico, que integra o Balé desde sua fundação e tem um histórico também como coreógrafo, tendo realizado espetáculos solo e participado de diversos outros projetos de dança, é preciso compreender que assim como o movimento é o princípio da dança, isso vale também para as companhias, que devem se adaptar às exigências dos novos tempos, como mobilidade e versatilidade. ”Não existe um único modelo ideal de dança e nós continuaremos apostando na excelência artística do Balé”, ressalta Paullo Fonseca.
Lílian Pereira, que tem o mesmo tempo de casa, assumiu a direção artística do Balé Teatro
Castro Alves em 2005 e agora volta a atuar como bailarina, compartilha da mesma visão. ”O Balé não precisa ser uma única coisa sempre e nem tem que optar necessariamente por um modelo ou outro. Tudo depende do que se pretende com cada projeto, há um leque grande de possibilidades, e as mudanças são boas”, defende, garantindo que está em plena forma para dançar. ”Sempre gostei mais do lado artístico, de estar no palco. Aprendi muito com a gestão do Balé durante esses três anos, mas quero voltar a ser bailarina”, afirma. Para a diretora de Dança da Funceb, Lúcia Matos, ”não existem padrões homogêneos de corpos e produções artísticas em dança, mas uma busca de uma identidade artística do corpo que dança”.
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