O sabor diferenciado das frutas baianas, que já conquistou mercados exigentes na Europa e América do Norte, está agora alcançando os estados de São Paulo e Mato Grosso e o Distrito Federal por meio de centrais de negócios dos supermercados da Associação Paulista de Supermercados (Apas) e atacadistas nesses centros de consumo.
Graças à ação integrada das áreas de mercado e agronegócios do Sebrae na
Bahia, dentro do Projeto Comércio Brasil, produtores das cooperativas de
Bom Jesus da Lapa e
Itaberaba aumentaram suas vendas em R$ 710.457,00, de julho a dezembro do ano de 2007, sendo R$ 493.201,00 com a venda da banana e R$ 217.247,00 com a venda do abacaxi.
Segundo o consultor do Sebrae/BA Aldir Parisi, o trabalho começou em junho do ano passado, quando foram identificados dois produtos que tinham condições de atingir novos mercados, o abacaxi produzido pela Cooperativa dos Produtores de Abacaxi de
Itaberaba (Coopaita) e a banana da Cooperativa de Produtores de Frutas de
Bom Jesus da Lapa (Coofrulapa).
Foi realizada então uma missão técnica com os representantes das duas cooperativas até a Ceagesp (Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo) e também à Apas (Associação Paulista de Supermercados), onde foram mantidos contatos comerciais e levantadas informações sobre o mercado de São Paulo.
Com as informações obtidas nessa missão, os produtores foram capacitados quanto às exigências para comercialização de seus produtos visando à participação em uma rodada de negócios do setor no município de
Juazeiro no norte da
Bahia.
Foi feito um acerto para que os atacadistas comprassem diretamente dos produtores, eliminando assim a figura do intermediário. Além disso, a idéia é profissionalizar o setor. Para isso, "criamos um manual de procedimentos para orientar o empresário sobre qual a melhor forma de colocar seu produto em mercado de alto nível de exigência", destaca Parisi, lembrando que durante a Fenagri, em junho do ano passado, o Sebrae trouxe um grande atacadista de Mato Grosso e outro de Brasília, além de dez centrais de negócios de São Paulo, para negociar com os produtores baianos.
O consultor destaca que esse trabalho exigiu um maior profissionalismo por parte dos produtores, que precisaram mudar alguns procedimentos para atender às exigências do mercado e dos compradores. Para este ano, a intenção do Sebrae é ampliar o trabalho com outras cooperativas do Estado, desde que elas estejam preparadas e com produtos de qualidade. "Vamos também continuar prospectando outros mercados para a banana e o abacaxi, a depender do volume de produção das duas cooperativas", diz Parisi.
O gerente de Mercado e Finanças da Coopaita, Pedro Paulo Simas Santos, destaca que os cooperados esperam a continuidade dos trabalhos este ano. Ele esteve em São Paulo no ano passado, integrando a missão técnica, e diz que a experiência ajudou a melhorar a logística da cooperativa, principalmente no que diz respeito ao carregamento das frutas. Ele ressalta que a Coopaita ainda não tem previsão da safra deste ano, mas espera que seja maior do que a do no ano passado, que alcançou o montante de 3,2 milhões de frutos.
Abrindo mercadosO Comércio Brasil, em operação desde 2006 pela Unidade de Acesso a Mercados (UAM) do Sebrae, é uma iniciativa que busca criar oportunidades de negócios para micro e pequenas empresas, associações e cooperativas em mercados onde essas empresas já atuam, como também em outros mercados potenciais por meio de uma rede de consultores denominados agentes de mercado.
As empresas selecionadas recebem a visita de um consultor, que levanta as oportunidades de negócios e os canais de distribuição conjuntamente com os empresários e, com o uso de mecanismos de inteligência comercial, definem estratégias e ações para a inserção dos produtos no mercado. O Comércio Brasil começou com a adesão de nove estados em uma primeira etapa. A partir de 2008 deve integrar mais nove estados na rede, sob gestão das Unidades de Acesso a Mercado estaduais e do Sebrae Nacional.