Projeto promove encontro da cultura da Bahia e de Pernambuco no Pelourinho

Publicado em: 14/02/2008 - 00h29min

Ricos em suas manifestações culturais, os estados da Bahia e de Pernambuco se encontram neste final de semana, dias 16 e 17, no Pelourinho. Através do projeto Passarela da Alegria Pernambuco – Bahia, mais de 15 atrações da produção cultural de Pernambuco estarão em Salvador para mostrar um pouco da diversidade cultural do estado pernambucano para o povo baiano. São grupos de frevo, maracatu, pernas-de-pau, bonequeiros e muito mais. Entre os destaques da programação está o novo show do cantor pernambucano Alceu Valença, Na Embolada do Tempo.

Representando a Bahia, participará do projeto a escola de samba Do Lixo ao Luxo – grupo formado por pessoas da melhor idade que se apresentam há oito anos com fantasias elaboradas de material reciclado. A escola é acompanhada da banda Verde e Rosa. Participam também do projeto o tradicional Filhos de Gandhy e o grupo de cultura popular Lindro Amor – formado por crianças, jovens e idosos, que, todos os anos – acompanhados de uma banda - saem às ruas caracterizados a fim de colher donativos para a realização do caruru de São Cosme e Damião.

O intercâmbio cultural entre os dois estados é mais um dos eventos especiais promovidos, em fevereiro, pela Secretaria de Cultura da Bahia através do Programa Pelourinho Cultural. Com patrocínio da Petrobras e parceria da Fundarpe – Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco, o evento terá contrapartida baiana no estado: “No segundo semestre, será a vez da Bahia visitar Pernambuco com sua produção de cultura popular, teatro, dança, música”, antecipa o secretário de Cultura, Márcio Meirelles, que articulou diretamente a vinda da comitiva pernambucana.

A idéia, explica, é fazer esse intercâmbio também com outros estados do Nordeste. “O Fórum de Secretários de Cultura do Nordeste tem se reunido com freqüência e queremos investir cada vez mais na circulação de nossa produção cultural. É preciso que a gente conheça mais a produção dos outros estados e que eles tenham acesso também às nossas expressões artísticas para que os laços e trocas culturais sejam fortalecidos”, ressalta.

De acordo com Felipe Melo, produtor cultural e um dos organizadores do evento, os baianos terão oportunidade de presenciar uma ‘festa das etnias’. “O público vai conhecer desde a mais antiga manifestação cultural registrada no Brasil, os Caboclinhos, até a mais nova delas, porém já centenária, o frevo. Entre os grupos que participam, está o de maracatu, Leão Coroado, fundado em 1863. Vamos fazer um carnaval de rua, uma festa de cores e sons”, avisa.

PROGRAMAÇÃO - No sábado, os desfiles começam a partir das 16h. O público vai conferir a performance dos grupos Caboclinho 7 flechas, Maracatu Rural Piaba de Ouro, Maracatu Nação Leão Coroado, Troça Pitombeira dos Quatro Cantos e as participações dos Filhos de Gandhy e do grupo baiano Do lixo ao luxo - acompanhado da banda Verde e Rosa. Todos desfilam pelas ruas do Centro Antigo até chegar ao destino final - o Largo do Pelourinho, onde – às 20h - acontece o show do pernambucano Alceu Valença – uma das grandes atrações da Passarela da Alegria. No final do espetáculo, os grupos sobem ao palco para uma apresentação com o músico.

No domingo, as atividades começam mais cedo. Às 11h, os grupos de cultura popular de Pernambuco se apresentam novamente em cortejo pelas ruas do Pelourinho. Desta vez, o grupo Lindro Amor é quem representa a Bahia. “Será uma troca de experiências entre dois Estados com a mesma formação. Juntamente com Minas Gerias, Pernambuco e a Bahia são os principais responsáveis pela formação da cultura popular brasileira”, diz Felipe, que completa: “Será uma oportunidade única”.
Já às 15h do mesmo dia, uma aula-espetáculo anima os espaços da Pedro Arcanjo. Os grupos de Maracatu rural, com o mestre Manuelzinho, e de Maracatu nação, com o mestre Afonso, comandam a folia. Um pouco mais tarde, às 16h30, são as interpretações do grupo de Caboclinho, com o mestre Zé Alfaiate, e de frevo, com o grupo Guerreiro dos Passos, que marcam presença na Passarela da Alegria.

Ambas as oficinas contam com duas importantes personalidades no assunto: José Amaro Santos (Etnomusicólogo, professor da UFPE, folclorista e historiador) e Raul Lody (Antropólogo, curador da Fundação Gilberto Freyre e da Fundação Pierre Verger).

ENCERRAMENTO - Para encerrar o encontro de manifestações culturais no Centro Histórico, o espetáculo Sagração das Etnias – concebido e dirigido por Maria Paula Costa Rêgo - sobe ao palco no Largo do Pelourinho, às 18h. O mesmo show, que contempla diferentes elementos culturais, como o teatro, a dança e a música, fez a abertura do carnaval de Recife. Considerado uma homenagem ao povo brasileiro, Sagração das Etnias representa negros, índios e brancos.
O espetáculo tem a participação dos grupos de pernas-de-pau de Tuparetama; grupo Galante; Caboclinho 7 Flechas; Cavalo-marinho Estrela de Ouro de Condado; bonequeiros; os palhaços Periquitos de Zumbi; os caiporas de Pesqueira; os caretas de Triunfo; o Maracatu Rural Leão de Ouro de Condado e o Nação Estrela Brilhante.

Outra grande atração na noite de domingo é a Orquestra da Bomba do Hemetério - idealizada e liderada pelo compositor, arranjador e instrumentista, Maestro Forró, que inova ao unir características eruditas e populares e quebrar padrões comuns às orquestras de frevo. O grupo realiza um trabalho de pesquisa, manutenção, releituras e interações da música regional com variados ritmos do mundo.

Passarela da Alegria traz Alceu Valença a Salvador

Em meio à celebração cultural no Pelourinho, o show do pernambucano Alceu Valença promete marcar a noite do dia 16, no Largo do Pelourinho. O evento é aberto ao público e acontece às 20h. O pernambucano apresenta o espetáculo Na Embolada do Tempo, que promete inovar o trabalho do poeta-cantador – como é chamado. Alceu interpreta as canções inéditas do seu 26º CD, o último - que dá nome ao seu espetáculo.

Lançado pela Indie Records, o trabalho chegou às lojas em 2005. No repertório estão canções como Ai de ti, Copacabana – um xote em homenagem ao Rio de Janeiro, além de No tempo em que me querias e Romance da Moreninha (uma parceria com Emanuel Cavalcanti). As duas últimas conservam elementos característicos da sua cidade natal. O músico canta também as músicas Belle de Jour e Tropicana, uma autoria de Alceu Valente e Vicente Barreto. Acompanham Alceu os músicos Paulo Rafael (guitarra e violão), Maurício Oliveira (baixo), Chico Ceará (sanfona e teclado), Cássio Cunha (bateria), Edwin de Olinda e Jean Dumas (percussão).
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