Estado do presidente de Timor Leste é grave, diz médico
Publicado em: 11/02/2008 - 13h13min
O presidente timorense José Ramos Horta é submetido na manhã desta segunda-feira (de Brasília) a uma intervenção cirúrgica no Royal Darwin Hospital, encontrando-se em estado "extremamente grave, mas estável", disse à Lusa o diretor do hospital australiano.
Len Notaras explicou à Lusa que o presidente timorense passa por uma intervenção que se centra particularmente no lado direito do tronco, onde uma das balas que o atingiu perfurou o pulmão.
"A sua condição é extremamente grave, mas estável", disse, frisando que os ferimentos do líder timorense "podem certamente colocar a sua vida em risco" e que será crucial avaliar "eventuais complicações nos próximos dias".
"A sua condição é estável e esperemos que possa fazer uma recuperação total", frisou.
Ramos Horta chegou ao hospital de Darwin cerca das 17:30 locais (6h de Brasília) com ferimentos de pelo menos duas balas, que tinham já sido previamente tratados em Dili, onde recebeu 16 unidades de sangue.
Assim que chegou em Darwin foi avaliado pela equipe clínica de emergência que o submeteu a radiografias e para determinar o grau dos ferimentos, tendo em seguida dado entrada na ala operatória onde continuava por volta das 20:15 locais (8h45 em Brasília).
"O ferimento que tem no peito é bastante grave. Inicialmente pensava-se que tinha um ferimento no abdômen, mas tratou-se apenas de um espaço de exploração da equipe em Dili para analisar se tinha ou não órgãos vitais atingidos", explicou.
"Para já, e além do pulmão direito e do fornecimento de sangue para o pulmão direito, os seus restantes órgãos parecem estar intactos, o que é importante durante os próximos dois a três dias em que temos que manter atenção sobre questões de infecção e coagulação de sangue", explicou.
Segundo Notaras, uma das balas que atingiu Ramos Horta teria entrado e saído de seu corpo, estando ainda fragmentos de outra no interior da sua cavidade torácica.
A intervenção cirúrgica a que está a ser sujeito é uma "combinação de estabilização, de reparação dos vasos sanguíneos" e "consistente em garantir uma boa recuperação", explicou Notaras.
Ramos Horta chegou a Darwin em vôo médico procedente de Dili por volta das 17h locais, tendo sido transportado em ambulância com cuidados intensivos integrada a um caravana de dois outros veículos, num dos quais seguia a sua irmã, Rosa Carrascalão.
Ligado a várias máquinas e em uma maca, Ramos Horta entrou no hospital perante uma forte presença de agentes da polícia de Darwin.
Durante a viagem de Dili, Ramos Horta foi colocado em coma induzido, com apoio respiratório e "apoio integral de vida", tendo um porta-voz do Careflight, a empresa responsável pelo transporte, afirmado que o estado do líder timorense estava "muito crítico".