CPI dos Cartões Corporativos será mista, informa líder
Publicado em: 11/02/2008 - 13h11min
A comissão parlamentar de inquérito sobre os gastos com cartões corporativos será mista, ou seja formada por deputados e senadores, segundo informou o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-PE).
Depois de conversa com o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) Jucá disse que resolveu apoiar a CPI mista e desistiu de apresentar o requerimento. Segundo ele, a decisão foi tomada porque a proposta do deputado prevê investigações a partir de 2001, podendo retroagir a 1998, incluindo as chamadas contas tipo B.
“Chegamos a uma posição de consenso. A nossa idéia bate em muitos pontos com a proposição que ele [Sampaio] está fazendo da Comissão Mista”, disse Jucá. “Vamos aprovar a CPI mista. A base do governo, e eu, pessoalmente, assinaremos o requerimento. Daremos o número necessário também para que possa ser feita a CPI mista e o Congresso possa se debruçar no assunto, que é importante”, acrescentou.
A idéia é investigar os gastos com cartões corporativos a partir de 2001, quando o cartão começou a ser usado, mas essa apuração poderá retroagir até 1998, quando ele foi criado. “Queremos retroagir para fazer análise circunstanciada do gasto público e mudar essa visão de gasto público. É importante ter um padrão de gasto para que haja uma mudança e um maior controle dos gastos”, disse o líder do governo.
Na semana passada, o senador havia prometido apresentar hoje (11) um requerimento para a criação de uma CPI no Senado sobre o assunto. Ele garantiu já ter 22 das 27 assinaturas necessárias, e afirmou que caso integrantes da oposição se recusassem a assinar o documento, a base do governo teria número suficiente para a instalação da CPI.
“Já estamos com 22 assinaturas confirmadas. Na segunda-feira [11] apresento novamente com 27, com a base do governo pedindo a CPI. Sem problema. Não é isso que irá barrar a investigação”, disse na última sexta-feira (8).
A oposição sempre defendeu uma CPI mista, formada por deputados e senadores, e apenas para investigar os gastos com cartões corporativos do governo a partir de 2001.
Na sexta-feira, o vice-líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias (PR), começou a coleta de assinaturas para a CPMI. No primeiro dia, seis senadores assinaram o documento.
“O que queremos é investigar cartões corporativos, que é algo novo”, disse na ocasião o senador.
A divulgação dos gastos com cartão corporativo acabou provocando o pedido de demissão da então ministra da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro. Ela pagou despesas pessoais com o cartão corporativo.