Governo articula CPI para investigar gastos com cartão corporativo
Publicado em: 06/02/2008 - 16h21min
Desde a semana passada, quando a questão dos gastos com o cartão corporativo levou à demissão da ministra da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Matilde Ribeiro, a oposição fala de investigar o assunto no Congresso. Mas o próprio governo resolveu tomar a iniciativa.
No primeiro dia de atividade legislativa em 2008, o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), dedicou-se a colher assinaturas para a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre os gastos de autoridades do Executivo nos últimos dez anos, tanto com o cartão corporativo quanto com a chamada “conta B”, utilizada para suprimento de fundos antes da criação do cartão, em 2001.
Jucá diz que já tem 28 assinaturas – são necessárias 27, número equivalente a um terço dos senadores – e que vai protocolar a criação da CPI amanhã. “Tenho as assinaturas necessárias. Vamos aguardar mais alguns senadores que ligaram diendo que gostariam de assinar, e amanhã, provavelmente no final da manhã, vamos entregar na secretaria-geral do Senado o pedido”.
“A CPI não seria necessária, mas pior do que fazer a CPI é ficar uma nuvem pairando em cima do governo como se o governo tivesse algo a esconder, tivesse algum comprometimento, tivesse feito alguma questão errada, como inclusive estavam levantando questões ligadas à família do presidente [Lula], disse Jucá. “Como o governo não tem o que esconder, vamos fazer a CPI e vamos averiguar”.
O deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), que propõe a criação de uma comissão mista envolvendo deputados e senadores (CPMI), criticou a iniciativa dos governistas. “É uma manobra do governo para evitar a apuração séria dos gastos com os cartões, o intuito é de manobra e assusta. Vamos continuar colhendo assinaturas para uma CPI mista”.