Publicado em: 07/11/2007 - 10h59min
Revolta. Este foi o sentimento predominante ontem, no Jardim da Saudade, no sepultamento do gerente de documentação e pesquisa do Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia (Irdeb), Mauro José Mascarenhas Pimentel dos Santos, 46 anos. Ele foi encontrado morto a facadas na segunda-feira à noite, em seu apartamento, no bairro da Federação. Entre os amigos e parentes, estava o irmão da vítima, o ator Cláudio Manoel, o seu Creysson do Casseta e Planeta, que, muito abalado, pediu a punição do assassino, de acordo com o CORREIO DA BAHIA.
Tido como principal suspeito do crime, o mecânico elétrico Marcos dos Santos Silva, que morava com a vítima desde 2004, foi liberado horas antes do enterro. Segundo a titular da 7ª Delegacia, no Rio Vermelho, a delegada Maria Dail Sá Barreto, o resultado do exame de lesão corporal não comprovou a suspeita de envolvimento do mecânico no crime. Silva não apresentava nenhum ferimento proveniente de uma possível luta corporal com a vítima no dia do crime.
O ator Cláudio Manoel chegou ao local onde o corpo do irmão foi velado, por volta das 15h30, acompanhado do empresário do grupo Casseta e Planeta e amigo de infância, Manfredo Barreto, e buscou confortar os pais. Pouco depois do sepultamento, por volta das 16h30, ele fez um apelo: “Meu irmão era uma pessoa muito querida por todos e acabou morto de uma forma tão brutal. Por ele, por meus pais e por todos aqui, espero que os culpados sejam punidos”, declarou.
Cerca de cem pessoas compareceram à cerimônia, entre elas a colega de trabalho Letícia Barbosa, 57, que encontrou Mauro morto. Como o rapaz não trabalhou na segunda-feira, ela ficou preocupada. Pegou uma chave do apartamento que ele havia deixado numa de suas gavetas no Irdeb e foi até a casa dele, no Edifício Cedro, no Condomínio Vereda do Bosque. Ao chegar ao local, constatou o crime e acionou a polícia. “Ele era mais do que um colega de trabalho, era um filho para mim. Sempre prestativo e atencioso com quem quer que fosse. Ninguém tinha do que reclamar de Mauro”, declarou emocionada.
A jornalista Maria Alcina Pipolo, assessora de comunicação do Ministério Público e que por alguns anos trabalhou com Mauro no Irdeb, expressou o sentimento quanto à morte do colega. “É dor tamanha. Uma perda lastimável. Além de um ótimo profissional, era um grande amigo”, lamentou. Para o Grupo Gay da Bahia, trata-se de um crime homofóbico. “Pela percepção da cena do crime trata-se de uma expressão cruel da homofobia que vem ceifando a vida de muitos homossexuais no Brasil e na Bahia. Até quando teremos de pagar com as nossas vidas o preço do nosso desejo? É preciso que nesse caso e nos demais a verdade apareça e os culpados sejam punidos com todo o rigor da lei”, disparou.
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