Mau uso de patrimônio público ameaça espaços inaugurados em Camaçari

Publicado em: 31/01/2008 - 11h13min

Desde o início do governo, a Prefeitura entregou 40 praças, fez intervenção em 61 das 90 escolas da rede municipal, construiu novos postos de saúde, pavimentou dezenas de ruas, entre outras tantas realizações. No entanto, para manter os espaços públicos em bom estado, é necessário mais do que manutenção, mas, principalmente, a conscientização dos moradores quanto à preservação dos equipamentos.

Os atos de vandalismo e furto, além de onerar os cofres públicos, diante da necessidade de recuperação, prejudicam a realização de novas obras, deixam a cidade feia e revelam um problema cultural.

De acordo com o comandante do 12º Batalhão da Polícia Militar de Camaçari, tenente-coronel Alfredo Castro, o problema é que muitas vezes as pessoas acham que têm o direito de quebrar porque o dinheiro é delas. “Mas, é preciso mudar essa idéia, em vez de quebrar, preservar”.

Segundo ele, quem for pego destruindo patrimônio público pode responder a processo criminal. A Prefeitura sugere aos moradores que não estimulem a destruição e orientem as crianças sobre o uso racional dos espaços. A comunidade precisa estar articulada para cuidar dos equipamentos. O bem é coletivo e por isso tem de ser preservado, não destruído.

PRAÇAS

Em relação às praças, por exemplo, é comum ocorrerem casos de destruição e pequenos furtos. O balanço do parquinho da praça da Noite, na Gleba A, por exemplo, foi quebrado um dia após a inauguração, porque mais de 10 crianças utilizam o equipamento ao mesmo tempo.

No bairro dos 46, o problema se repete. Além de quebrar o cabo de aço do balanço, os usuários do espaço destruíram vários mosaicos, arrancaram uma barra de ferro do parque e furtaram plantas do local.

Outra importante praça do Município, a Abrantes, teve as lâmpadas de iluminação cênica, bicos de irrigação e plantas quebradas. No caso da praça do Povo, no bairro do Ponto Certo, o problema foi ainda mais grave. Dois dias após a implantação das lixeiras, 11 foram roubadas.
Além disso, as pessoas levaram plantas e quase uma caçamba de pedras de quartzo branco. Dois bancos e os balanços também foram quebrados devido a má utilização.

Na praça Piatã, no Phoc 2, inaugurada em dezembro passado, algumas pessoas furtaram as flores bouganvilles, que compunham o projeto paisagístico original, e substituíram por outras espécies, aleatoriamente. Na avenida Acajutiba, revitalizada em 2006, pedras de granito foram colocadas pela manhã e à noite já tinham sido roubadas.

ESCOLAS

Nas escolas, o problema da depredação do patrimônio é um pouco menor, mas ainda ocorre. Durante o ano letivo de 2007, o Centro de Educação Municipal de Camaçari (CEMC), entregue aos moradores no final de 2006, registrou casos de furto e destruição.

De acordo com a diretora do colégio, Ana Patrícia da Silva, dois chuveiros foram furtados, assim como oito tampas de inox de torneiras. Mais de 50% das paredes, portas e braços de carteiras foram riscados pelos alunos. A má utilização dos equipamentos resultou na quebra de 100 carteiras escolares, três mesas, assentos de vasos sanitários e fechaduras de portas. A escola, no bairro do Phoc 2, atende 1.600 alunos.

Na escola Amélia Rodrigues, em Monte Gordo, a realidade é um pouco diferente. Entregue no mesmo período que o CEMC, em 2006, a unidade não registrou casos de quebra de carteiras ou mesas. “O maior problema são os desenhos nas paredes das salas e no muro da escola, inclusive pornográficos”, comentou Eduarda de Souza, diretora do colégio.

Por conta dos desenhos pornográficos, a escola vai realizar um trabalho de conscientização na área de educação sexual. Para evitar os rabiscos, a direção só permite que o aluno fique na sala de aula na presença do professor. As salas são divididas por disciplina e não por turmas.

“Dessa forma, conseguimos reduzir bastante a degradação. Os únicos casos de destruição registrados em 2007 foram no banheiro masculino, onde os alunos quebraram a fechadura e uma descarga”. A escola atende 1.756 alunos nos três turnos, em Monte Gordo.

Josi Anjos
ASCOM - Camaçari

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