Desde que deixaram de confeccionar o mosaico bizantino (industrializado) e passaram a fazer o romano (artesanal), os pequenos artesãos do município de
Ourolândia (BA), na Chapada Diamantina, começaram a receber mais encomendas. A mudança aconteceu graças a uma consultoria contratada pelo Sebrae que, desde o ano passado, está estimulando os produtores nesse tipo de trabalho.
Uma mostra do material será levada para Stone Fair de Vitória (ES), que acontece de 19 a 22 de fevereiro. Eles vão expor tampos de mesa e paisagens feitas de mosaico para buscar novos compradores. O grupo vai viajar com o apoio do Sebrae e da Assobege (associação que congrega os produtores do mármore Bege
Bahia).
Segundo Luciene da Silva Barros, vice-presidente da Associação de Desenvolvimento dos Jovens Artesãos de
Ourolândia (ADCJAO), a consultoria feita pelo designer Ludson Moulin Zampirolli mudou a forma como eles trabalhavam. Segundo ela, existem muitas empresas no Brasil fornecendo o mosaico bizantino em grande escala, podendo atender a uma demanda grande com custos menores. Já o mosaico romano é um trabalho artesanal, que requer cuidados especiais e possui um mercado em ascensão, além de um alto valor agregado. “O mosaico romano é mais rápido, não precisa dar polimento industrial e garante um bom retorno financeiro”, destaca.
Ela informa ainda que os artesãos foram incentivados pelo consultor a valorizar, nas paisagens das peças, a realidade local. Por isso, é comum cenas como a paisagem seca, o mandacaru e o vaqueiro. O mosaico pode ser aplicado em pisos, paredes, tampos de mesa, porta-retratos, centros de mesa e jogos americanos. Luciene informa que um tampo de mesa custa cerca de R$ 200 e, se o cliente quiser o produto completo, basta acrescentar mais R$ 100 pelo pé da mesa. Luciene diz que graças ao apoio do Sebrae e da prefeitura local o grupo já participou de exposições, como a Feban de
Jacobina e uma feira em
Morro do Chapéu, para exibir o trabalho.
Durante a consultoria, que teve início em julho do ano passado, os participantes têm a oportunidade de aprofundar suas habilidades técnicas na confecção do mosaico. Para Célia Lima, gestora do Projeto Rochas Ornamentais da
Bahia na região de
Ourolândia, a consultoria ajuda a valorizar o produto local e na auto-estima dos participantes, além de gerar emprego e renda. “Estamos trabalhando, também no aperfeiçoamento do produto, precisamos chegar competitivos ao mercado”, disse.