Mesmo com atuação ainda recente na região sudoeste da
Bahia, o setor moveleiro já responde por uma movimentação anual de R$ 45 milhões nos 85 municípios atendidos pelo comitê gestor formado por uma rede de entidades, incluindo a Associação de Moveleiros de
Vitória da Conquista (Amovic).
"O setor é altamente promissor, graças a uma ótima mão-de-obra, mas ainda precisamos de mais tecnologia", destaca o presidente da entidade, Gildásio Almeida, prevendo que a lacuna será preenchida em curto prazo para alavancar ainda mais a produção regional.
"O setor público deveria ter um olhar mais direcionado para o nosso segmento devido a sua importância na geração de emprego e renda. Para se ter idéia, a movelaria na região gera mais de 1,5 mil empregos diretos e um PIB acima de R$ 45 milhões/ano. Gostaríamos de ter um incentivo governamental, como formação de escolas para marcenarias".
Almeida lamenta o distanciamento de grande parte da categoria, a despeito dos esforços concentrados para agregar o setor e buscar novos associados. "É uma questão cultural. Ainda temos pessoas que ainda não se convenceram de que o associativismo, o cooperativismo, é a única forma que o pequeno tem para se tornar forte".
A Amovic tem 22 empresas associadas, porém em todo o município existem 220 profissionais que ainda não se aproximaram da entidade. "Esperamos que num curto espaço de tempo possamos engrossar essa fileira com associados de qualidade".
A parceria com o Sebrae e o apoio de entidades como a Prefeitura de
Vitória da Conquista, a Universidade Estadual do Sudoeste da
Bahia (Uesb) e o Cefet, dentre outras, tem fortalecido as empresas por meio do desenvolvimento tecnológico e gerencial, além da melhoria dos produtos e abertura de mercado.
"Discutimos diversas questões e as ações do Projeto de Madeira e Móveis do Sudoeste da
Bahia objetivando despertar nos moveleiros a segurança de que este projeto vai incrementar da economia no setor", ressaltou a gestora do comitê pelo Sebrae, Rosália Rocha e Rocha.
O diagnóstico do setor foi apresentado pelo consultor do Sebrae Ari Lorandi durante apresentação dos resultados do I Fórum de Movelaria do
Planalto do Sudoeste da
Bahia, realizado em 30 de novembro a 1º de dezembro do ano passado. Lorandi explicou que o Fórum de Movelaria foi pensado para dar suporte à coleta de informações sobre a situação atual da indústria moveleira da região Sudoeste da
Bahia, a partir de três frentes: produção, distribuição e mercado.
"Com estas informações e outros estudos que fizemos, chegamos a algumas conclusões sobre ações que devem ser desenvolvidas para que a indústria moveleira do sudoeste baiano pudesse melhorar sua competitividade diante de concorrentes do Sul e Sudeste do País", continuou. Disse que as ações mais importantes deverão ocorrer nas áreas de gestão, tecnologia e marketing.
"Temos hoje, nos 85 municípios do sudoeste da
Bahia, um mercado potencial para mobiliário da ordem de R$ 230 milhões por ano e mais de 90% deste volume é atendido por empresas de fora do Estado", anunciou.
O objetivo, destaca Lorandi, é reverter este quadro e fazer com que as mais de 200 marcenarias de
Vitória da Conquista respondam por pelo menos 20% deste valor, superando a meta equivalente a R$ 3,8 milhões por mês. "Evidente que se trata de um grande desafio, mas o trabalho dos moveleiros junto com o Sebrae e a Prefeitura de Conquista visa alcançar esse objetivo num prazo máximo de três anos", finalizou.
Para alcançar tais objetivos, já estão em andamento projetos que propõem, por exemplo, a instalação de um show room permanente para divulgação dos produtos confeccionados na região. O espaço será montado em um imóvel cedido pelo governo municipal para a Amovic. A proposta foi bem aceita no encontro com o comitê gestor de movelaria em
Vitória da Conquista, nos dias 24, 25 e 26 de janeiro. A reunião, convocada pela Amovic, Sebrae e Agência de Desenvolvimento, Trabalho e Renda (ADTR) - órgão vinculado à Prefeitura local, reuniu dezenas de profissionais na sede da Rede de Atenção e Defesa da Criança e do Adolescente.