Volta às aulas aumenta movimento no comércio
Publicado em: 28/01/2008 - 08h55min
Movimento nas papelarias e livrarias deve crescer entre 8% a 10% nos meses de janeiro e fevereiro, segundo sindicato do setor em Brasília.
Depois do Natal, o aquecimento do comércio fica por conta da volta às aulas, com livrarias e papelarias lotadas para atender à demanda por material escolar. No Distrito Federal, o Sindicato do Comércio Varejista de Material de Escritório, Papelarias e Livrarias (Sindipel)prevê que o movimento do setor deve crescer de 8% a 10% em janeiro e fevereiro deste ano na comparação com o mesmo período de 2007.
Para o presidente do Sindipel, José Aparecido Freire, proprietário da papelaria J.A., o aumento nas compras tem a ver com o bom momento da economia brasileira e com os poucos aumentos sofridos pelos produtos nos últimos tempos. "Esse movimento tende a aumentar ainda mais nas próximas semanas", adianta. O Sindipel reúne cerca de 600 empresas, metade delas de micro e pequeno porte; cem são papelarias.
Laércio Júnior, proprietário da papelaria Flecha, em Brasília, festeja o enorme movimento em sua loja. "Esse é o nosso Natal", brinca. Na visão do empresário, o acesso da população de mais baixa renda ao crédito e o incentivo do governo federal à educação contribuem para estimular o crescimento da demanda nas papelarias.
O empresário da Flecha assinala que os dois primeiros meses constituem o período de mais fôlego de seu negócio. "Em janeiro e fevereiro costumamos a faturar o equivalente a seis meses", contabiliza.
Capa e etiqueta
Segundo Laércio, a fase de grande movimento representa ótima oportunidade para os empresários fidelizarem seus clientes por meio do atendimento. "A demanda cresce, mas a concorrência é grande. Por isso, temos que oferecer um diferencial nos serviços", diz. Sem qualquer acréscimo no preço final dos produtos, a Flecha encapa e etiqueta os livros para os pais dos alunos.
Adriana Bazzo, que administra junto com sua família a Lia Papelaria, situada no bairro brasiliense da Asa Norte, também coloca capa e etiqueta nos livros para os pais dos alunos, sem nenhum custo. Para ela o forte movimento da volta às aulas é conseqüência de um atendimento de qualidade trabalhado ao longo do ano.
A empresária ressalta como uma de suas preocupações o cuidado com o estoque dos produtos, pois os filhos dos seus clientes estudam em dezenas de escolas do Distrito Federal. "O cliente não gosta de comprar uma coisinha aqui e outra ali. Portanto, tentamos reunir ao máximo todos os livros, de todas as séries". A comerciante calcula que em janeiro e fevereiro o movimento na Lia Papelaria chegue a crescer até dez vezes mais em relação a outros meses do ano.
Além do aumento no faturamento para os empresários, o crescimento na demanda provocado pela volta às aulas traz oportunidade de trabalho temporário para quem está desempregado ou busca uma primeira experiência no mercado. O Sindipel prevê um aumento médio de 25% a 30% no quadro das papelarias por conta do movimento. Desse total, conforme o Sindipel, de 3% a 5% devem ser efetivados.
José Aparecido Freire, presidente do Sindicato, acredita que mais de 30% das vagas temporárias se destinam ao primeiro emprego. "Há muitos universitários nesse meio, pessoas que aproveitam as férias para obter um ganho", observa Freire. "Ao mesmo tempo, muitas empresas têm buscado profissionais com uma formação educacional mais elevada", afirma.
Cliente satisfeito
A Flecha Papelaria possui um quadro fixo de 32 profissionais e contratou outros 35 como temporários para atender às demandas da volta às aulas. O empresário Laércio Júnior prevê a incorporação de aproximadamente 20% dos temporários. Para ele, o início do ano é a época mais indicada para se buscar novos funcionários. "É nesse momento que o empregado demonstra visivelmente sua atitude frente ao consumidor", assinala Laércio.
Cássio Bayma Siqueira começou no fim de 2007 como temporário na Flecha, por conta do aumento da demanda, e já foi efetivado. "Quando o movimento é grande, as empresas vêem a capacidade do funcionário, que precisa ter rapidez e agilidade", destaca Cássio.
Kátia Cristina Magalhães, analista da Unidade de Orientação Empresarial do Sebrae no Distrito Federal, dá dicas tanto para os empresários quanto para os funcionários no atendimento ao cliente, principalmente nos momentos de grande demanda. Ela lembra da chamada etiqueta profissional. "É preciso se comportar, se vestir e usar a linguagem apropriadamente, do atendimento telefônico ao pessoal", aconselha.
A analista chama a atenção ainda para a importância de o estabelecimento oferecer produtos com qualidade e com preços adequados ao perfil do público-alvo. "Com o cliente satisfeito, o vendedor é gratificado, não apenas do ponto de vista financeiro, e a empresa tem sua imagem valorizada", afirma.