As artesãs de Barra, município localizado no oeste da
Bahia, que integram o Projeto de Artesanato de Cerâmica, desenvolvido pelo Sebrae na região, esperam conquistar novos mercados com a assimilação do conceito e das práticas de Comércio Justo e Solidário que vêm sendo desenvolvidos pela Unidade de Acesso a Mercado do Sebrae no Estado.
Na
Bahia apenas a Cooperativa de Artesanato de
Valente, que utiliza como principal matéria-prima o sisal, e a Associação de Cerâmica Comunitária Nossa Senhora de
Fátima de Barra foram escolhidos para fazer parte desse projeto, realizado em parceria com a organização não-governamental Visão Mundial.
Em Barra, o projeto deverá beneficiar inicialmente 13 artesãos da Associação Comunitária. "No entanto vale ressaltar que mais de 80 pessoas que compõem as famílias desses artesãos também serão atingidas, pois a maioria tem o artesanato como atividade principal", destaca a gestora local do Projeto de Artesanato de Cerâmica de Barra, Ivalda Neiva.
O Comércio Justo e Solidário é um dos focos do Sebrae Nacional como política de acesso a mercados por parte de empresas, cooperativas e associações que obedecem aos princípios do conceito. "Sabemos que um dos principais problemas enfrentados pelos artesãos continua sendo a comercialização. Com esse projeto, os artesãos terão uma abertura maior e acesso a novos mercados. No município, o projeto já está em andamento e foram aplicados questionários de auto-avaliação para identificar as pendências de cada um para o cumprimento das exigências do Comércio Justo", explica Ivalda Neiva.
Numa etapa subseqüente haverá uma aproximação entre os empreendedores e a Visão Mundial, com o objetivo de distribuir os produtos aos supermercados de
Salvador. O projeto tem como finalidade a viabilização dos produtos dos artesãos nas redes de supermercados da capital, conscientizando consumidores finais das necessidades das práticas éticas e solidárias na comercialização de produtos.
O Projeto de Artesanato de Barra vem sendo desenvolvido há oito anos no município e já beneficiou cerca de 20 artesãos, além de grupos do Povoado de Passagem, distante 75 quilômetros da sede do município, que usam especificamente a cerâmica para cozimento de alimentos. Grupos de santeiros, cujo trabalho é característico da cultura local, também fazem parte do Projeto de Cerâmica.
"Graças a esse trabalho, hoje o artesanato de cerâmica de Barra é conhecido mundialmente. Os potes, moringas, galinhas, barcos feitos manualmente, sem utilizar nenhum tipo de máquina ou equipamento, são sucesso em todas as feiras e eventos realizados dentro e fora do Estado", afirma o vice-presidente da Associação de Cerâmica Comunitária Nossa Senhora de
Fátima, Marcelo de Castro.