Carnaval movimenta meio bilhão de reais em Salvador

Publicado em: 24/01/2008 - 11h12min

Depois de passar 22 anos atuando na atividade pesqueira, o empresário Edmar Bastos foi fisgado pelas oportunidades de negócio do Carnaval de Salvador. Há seis anos, junto com o sócio Alex Sá, Bastos inaugurou a Promalha Eventos com a finalidade de fazer a cenografia dos camarotes montados ao longo do circuito da festa.

Segundo ele, o trabalho consiste em dar um acabamento às estruturas tubulares nas quais os camarotes são montados. "Nós vestimos as estruturas com malhas, dando-lhes um ar de glamour", explica.

A atividade, que inicialmente era desenvolvida por ele, dois filhos e um ajudante, hoje requer a participação de 35 pessoas durante o Carnaval. "Temos 25 funcionários fixos no quadro da empresa e contratamos mais dez temporários para atender a demanda da festa", informa Edmar Bastos, que este ano fechou negócio com dez camarotes.

É durante o período da folia que a procura pelos serviços da Promalha aumenta, revela o empresário. "Ao longo do ano, nós trabalhamos em eventos corporativos, mas, no período do Carnaval, o movimento dobra, refletindo no incremento de 50% no faturamento", diz, sem revelar cifras. "Senão a concorrência cresce o olho", comenta bem humorado.

O Carnaval também potencializa o negócio de Bastos. "É uma vitrine. Muita gente que vê o trabalho dos camarotes nos procura para novos serviços". As novas oportunidades surgem até em outros estados. "Nós trabalhamos na arena dos Jogos Pan-americanos, realizados no Rio", informa Bastos. Segundo ele, a folia carnavalesca é o berço e o combustível de seu negócio, que foi ganhando forma a partir do aprendizado com a experiência.

O negócio de Edmar Bastos é um dos inúmeros que florescem na poderosa economia do Carnaval de Salvador. Segundo levantamento realizado pela Secretaria Estadual de Cultura, no ano passado, 900 mil pessoas brincaram nos três circuitos de rua da cidade, movimentando, na economia local, cerca de R$ 500 milhões durante os seis dias da folia, que atraiu 420 mil turistas.

58 anos depois


Há 58 anos, o rádiotécnico Adolfo Nascimento e o mecânico Osmar Macedo adaptaram bocas de alto-falantes num Ford modelo 1929, a chamada Fobica, e amplificaram o som do frevo que tocavam em suas rudimentares guitarras, os "paus elétricos", lançando o trio-elétrico e que revolucionaria o Carnaval de Salvador. Ninguém imaginava que, a partir daquela invenção, a festa popular se transformaria num negócio de entretenimento com tanta potencialidade econômica.

Os próprios Dodô e Osmar, como ficariam conhecidos, não tinham idéia do alcance da invenção. Nunca patentearam o trio-elétrico, embora o palco ambulante, símbolo da folia baiana, ganhasse o mundo e passasse a ser utilizado em vários países. O objetivo do invento era apenas dar mais alegria à festa de rua, que atualmente é um dos maiores eventos populares não-religiosos do planeta.

Mas a característica romântica e artesanal do início do Carnaval de Salvador ganhou dimensão econômica e industrial. Segundo o estudo da Secretaria de Cultura, durante a folia passada, houve empregos temporários para 131 mil trabalhadores. Nos 25 quilômetros de ruas, abrangidos pelos circuitos Dodô (Campo Grande/Praça Castro Alves), Osmar (Barra/Ondina) e Batatinha (Pelourinho), se apresentaram 329 entidades carnavalescas, 11.750 artistas e mais de 100 trios elétricos.

Foram montados 60 camarotes e realizadas ações de marketing com a exposição de 329 marcas. O governo estadual e a prefeitura investiram R$ 49,1 milhões na organização e infra-estrutura da festa, que abrange serviços de saúde, segurança, limpeza e iluminação.

A superestrutura que se construiu no Carnaval de Salvador exige a profissionalização dos diversos segmentos integrantes desse grande negócio do entretenimento. "A lógica do mercado está presente na festa", diz o economista Paulo Miguez. Os trios-elétricos são hoje montados em cima de carretas com sofisticados e potentes sistemas de som. Além de palco para a apresentação dos artistas, funcionam como cartazes ambulantes para as marcas que patrocinam blocos onde milhares de pessoas dançam ao som da música baiana.

O acesso aos blocos depende da compra do abadá, conjunto de camisa e bermuda utilizado como ingresso, cujo preço por dia oscila entre R$ 50 e R$ 900 a depender do 'status' da atração. Ivete Sangalo e as bandas Chiclete com Banana e Asa de Águia puxam os blocos mais valorizados. A comercialização dos principais blocos é concentrada em centrais de vendas como a Central do Carnaval, que estima vender este ano 140 mil produtos.

Os blocos dispõem de estruturas de serviços para atender milhares de foliões que participam da festa em movimento, percorrendo três quilômetros de circuito com duração média de quatro horas. Grandes grupos do segmento de bares e restaurantes se especializam neste tipo de atendimento e também faturam na festa em parcerias com os blocos.

De acordo com o diretor da Associação Brasileira Bares e Restaurantes (Abrasel), Luiz Henrique do Amaral, o movimento dos seis mil bares e restaurantes da cidade cresce 30% no período que antecede e depois que termina a festa. Há ainda o mercado de camarotes. Além de serem locais para assistir ao Carnaval de perto, são utilizados por várias empresas em ações de marketing de relacionamento.

Sebrae na Bahia

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