Publicado em: 07/01/2008 - 21h39min
As radiações emitidas por astros celestes que chegam à Terra têm intensidades energéticas diferentes, determinadas por fatores como a origem e a composição. A descoberta, feita pelo Observatório Pierre Auger de Raios Cósmicos, localizado no Deserto de Malargüe, Argentina, muda o pensamento da comunidade científica internacional, que classificava os raios cósmicos como isotrópicos, ou seja, com origem em qualquer direção da esfera celeste. A novidade foi anunciada em artigo escrito pelo professor Germano Pinto Guedes, da Uefs, na revista norte-americana Science, de 9 de novembro de 2007.
Instalação do sistema de comunicação de um dos detectores de superfície no Deserto de Malargüe, Argentina.
Até então, pensava-se que todas as galáxias emitiam as radiações que chegam não apenas à Terra, a todo o Universo. Agora, já é possível identificar a origem dos raios cósmicos, que se constituem de partículas que vêm do espaço e chegam ao planeta de diversas direções. Com a descoberta do Observatório Pierre Auger de Raios Cósmicos, será possível mapear as galáxias que possuem núcleos ativos, formando ou desintegrando um astro.
O professor Germano Pinto Guedes, doutor em física pelo Instituto Weizmann, de Israel, leciona na Uefs desde de 2003, onde, atualmente, coordena o Laboratório de Energia Solar. Sobre o artigo publicado na revista Science, o professor explicou que “nele constam os primeiros resultados sobre a pesquisa realizada pelo Observatório Pierre Auger”, que deve durar ainda mais vinte anos. O Observatório Pierre Auger é fruto de projeto desenvolvido por associação constituída de pesquisadores e instituições de diversos países, inclusive do Brasil, cujo meta é detectar a origem, composição e energia dos raios cósmicos’’, explica Germano.
Coleta de dados
Compreendendo uma área de 3.000 km2, o Observatório possui 1.624 detectores de dois tipos: o de superfície e de fluorescência. O primeiro detecta as partículas que atingem o solo. O de fluorescência permite a observação da passagem de partícula na atmosfera identificando o caminho que percorre.
Os detectores de superfície são formados por uma capa de plástico (revestimento tyvek), que reflete a luminescência na água, e três sensores (foto-multiplicadores), que vão captar o sinal luminoso, que é gerado no líquido, permitindo a coleta de dados sobre os raios cósmicos que atingem a Terra. “No desenvolvimento dos detectores são criados novos equipamentos tecnológicos, que em breve poderão ser apresentados e disponibilizados para a comunidade, assim como foi a internet”, garante o professor Germano Guedes. O artigo escrito por ele pode ser consultado através da internet, no site da Science (www.sciencemag.org).
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