O jornalista, bacharel em Direito, escritor e compositor Anísio Félix vai dar nome ao Centro de Imprensa da Prefeitura de
Salvador no Carnaval 2008, a ser instalado no Hotel da
Bahia. Falecido aos 70 anos em 27 de janeiro de 2007, ele militou em diversos órgãos de imprensa e foi presidente do Sindicato dos Jornalistas da
Bahia. Em vida teve uma relação visceral com a cidade do
Salvador, por quem se dizia apaixonado. A Secretaria Municipal da Comunicação Social (SMCS) considera a escolha de grande significado, uma vez que Anísio Félix foi um homem do Carnaval, retratado em livros e composições de sua autoria.
Boêmio e homem da noite, soube retratar sua vivência com a cidade nos cinco livros que escreveu - "
Bahia pra começo de conversa", "Filhos de Gandhi, a história de um afoxé", "Pelo Pelourinho", "Um vento estranho" e "
Bahia, Carnaval" (este em parceria com Moacyr Néri). Também participou de duas coletâneas - "Dezoito contos baianos" e "Contos que a
Bahia conta".
Como cronista, escreveu a história da cidade. E foi, também, um compositor famoso como outras importantes figuras da música baiana, a exemplo de Ederaldo Gentil, Batatinha e Riachão. É dele um dos últimos sambas-enredo da Escola de Samba Filhos do Tororó, nos anos 70, quando da homenagem a Mãe Menininha do Gantois.
Homem simples, era do tempo do chamado "jornalismo romântico", que se alegrava com a notícia, com a descoberta, com o rigor da apuração. Foi um eterno apaixonado pelo bom jornalismo. Uma paixão tão avassaladora que, mesmo já formado em Direito, o que o fez na maturidade, queria sempre escrever.
A comissão do Carnaval considera "justa esta homenagem" de dar o nome de Anísio Félix ao Centro de Imprensa do Carnaval 2008, uma festa onde um dos ícones da cultura baiana - a capoeira - será o centro de todas as homenagens dentro do tema "O coração do mundo bate aqui". Além de presidente do Sinjorba, o homenageado colaborou na Editoria de Opinião do jornal A Tarde e trabalhou no Diário de Notícias, Jornal da
Bahia e Tribuna da
Bahia.
Bacharel em Direito, fez parte da Comissão de Defesa da Liberdade de Imprensa e dos Direitos Humanos da Associação Brasileira de Imprensa, de 1999 a 2005. Em 2002, ocupou como suplente o Conselho Administrativo da instituição, e elegeu-se, também como suplente, para o Conselho Deliberativo da ABI, no triênio 2005 a 2008
Receptividade A escolha do nome de Anísio Félix para denominar o centro de imprensa do Carnaval de
Salvador foi muito bem recebida pela sua família. A sobrinha, Jacileda Cerqueira Santos, funcionária municipal, revelou-se orgulhosa com a homenagem e agradeceu em nome da família. A escolha teve repercussão favorável não só entre a classe jornalística, mas também por pessoas de diferentes segmentos com os quais o profissional convivia, numa demonstração de carinho e reconhecimento pelo trabalho desenvolvido durante três décadas e na divulgação do carnaval baiano.
Para Kardé Mourão, presidente do Sindicato dos Jornalistas, a escolha da Prefeitura não poderia ser melhor."Anísio foi um grande jornalista, sindicalista combativo e amou de maneira intensa esta cidade, sua cultura e o Carnaval". O presidente da Associação Baiana de Imprensa (ABI), jornalista e comentarista político Samuel Celestino, disse que foi uma "boa escolha".
Para outras pessoas que conviveram com o homenageado, a escolha foi mais do que merecida não só pelo relevante trabalho desenvolvido no âmbito do jornalismo impresso ou pela sua atuação frente ao Sinjorba na defesa dos interesses da categoria, mas principalmente pela divulgação que o jornalista fazia do Carnaval baiano e pelo folião que era. Para onde quer que fosse Anísio Félix carregava consigo abadás, fantasias e pequenas lembranças do Carnaval da
Bahia para distribuí-las, relembra Antônio Francisco Moreira, dono do restaurante Porto do Moreira, localizado no Largo do Mocambinho, freqüentado pelo jornalista.
De acordo com Moreira, Anísio Félix era um grande folião e mesmo tendo fixado residência no Rio de Janeiro, onde concluíra o curso de Direito e começava a se articular na nova escolha profissional, fazia questão de, no Carnaval, adquirir a sua fantasia dos Filhos de Gandhy e participar com muita animação da folia baiana.
Moreira lembra uma viagem à Europa que fez em companhia de Anísio, visitando Portugal, França e Espanha, ocasião em que testemunhou o jornalista distribuindo lembranças do Carnaval da
Bahia nas cidades por onde passava, ao mesmo tempo em que sugeria uma visita à
Bahia.
O presidente do Afoxé Filhos de Gandhy, Agnaldo Antônio Oliveira Ribeiro da Silva, tem também boas recordações de Anísio Félix, que o considera "um folião exemplar". Segundo Agnaldo, "Anísio foi uma pessoa que sempre contribuiu para o sucesso do Carnaval da
Bahia e a homenagem é das mais justas pelo que ele significou e, além disso, deixou muita coisa registrada, inclusive um livro sobre o afoxé que ele tanto admirava", frisou.