Publicado em: 03/01/2008 - 16h13min
A conclusão das obras de dois grandes hospitais no interior do estado, nos municípios de Irecê e Juazeiro, até o fim do mês de junho, além da aquisição de equipamentos para o Hospital de Santo Antônio de Jesus, que, depois de 16 anos em construção, finalmente será entregue à população, constituindo-se no Hospital da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, são alguns dos grandes projetos da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia para o ano que vem. A expectativa do secretário, Jorge Solla, é que a política de saúde, que teve suas sementes plantadas neste primeiro ano de governo, vai começar a frutificar.
Solla analisa como muito positivo este primeiro ano de gestão. Em sua avaliação, três ações foram muito importantes para dar estrutura sólida aos próximos três anos: primeiro, o pagamento das dívidas herdadas no valor de R$ 210 milhões, deixando a secretaria em numa situação equilibrada. "Este valor equivale a quase dois meses do orçamento da secretaria. Estamos encerrando o ano com quase todos os compromissos em dia. Isso foi possível porque estamos gastando melhor, reduzimos gastos desnecessários e ainda ampliamos o número de atendimentos e internações em todos os hospitais do estado", disse.
Ele explicou que não fez mágica e nem conseguiu recurso extra, apenas administrou com mais eficiência o recurso. "O orçamento deste ano foi feito pela gestão passada. A prova da racionalização dos recursos é que nós contratamos quatro mil novos postos de trabalho médico, 2 mil profissionais de saúde aprovados no concurso de 2005 e que ainda não tinham sido chamados, e mais quase 1 mil selecionados na última prova realizada em outubro, para contratação temporária", complementou.
Solla também pontuou o saneamento dos contratos existentes. Ele falou da economia de mais de 20% que a secretaria fez com a substituição da Ascop - Vigilância e Patrimonial Ltda pela empresa Sena Segurança Inteligente Ltda. O contrato da Postdata, outra empresa prestadora de serviços à Secretaria da Saúde, será substituído no mês de janeiro. "Não estamos substituindo apenas os contratos das empresas envolvidas na operação Jaleco Branco, da Polícia Federal. A Coopamed, empresa que durante dez anos era a única contratante de médicos para o estado, também foi um exemplo. Existia a determinação do Tribunal Superior do Trabalho, desde junho de 2005, para romper o contrato, porém a gestão passada insistiu e continuou com a Coopamed. O que mais me impressiona é que, até hoje, sofremos pressão e somos criticados por alguns órgãos de imprensa porque não renovamos contrato com esta empresa que se diz uma cooperativa", destacou.
Em terceiro lugar, o secretário falou dos estoques de medicamentos e materiais de consumo das unidades hospitalares. Ele lembrou que em janeiro, quando assumiu a gestão da secretaria, o Hospital Clériston Andrade - HCA, em Feira de Santana, as cirurgias estavam suspensas, porque não tinha fio de sutura. "Nós preparamos nossos estoques e estamos com os hospitais abastecidos até o Carnaval, para garantir a assistência à população durante o mês de janeiro", disse.
Hospitais reformados
No balanço das ações, o secretário destaca os investimentos em reformas e ampliações realizadas nos hospitais. Ele falou dos 60 leitos inaugurados, dia 19 de dezembro, no HCA e destacou que a unidade está com muitas obras em andamento, tais como as reformas da emergência, cozinha, área de esterilização e necrotério. Solla destacou as reformas nos hospitais Luiz Viana Filho, em Ilhéus; Prado Valadares, em Jequié; Menandro de Faria, em Lauro de Freitas; Geral de Camaçari; a reforma e aquisição de equipamentos para a unidade semi-intensiva do Roberto Santos e a inauguração da unidade intermediária do Hospital Geral do Estado, além da implantação do serviço de neurocirurgia no Hospital do Oeste e no Clériston Andrade, além da municipalização dos hospitais de Irecê, Paulo Afonso, Itamaraju, Macaúbas e Paramirim. "Nas próximas semanas, vamos inaugurar o novo serviço de hemodiálise do Hospital Ana Néri. Esta era uma das unidades que estavam com as obras paralisadas há quase três anos", afirmou Jorge Solla.
Ele destacou as metas do Projeto Saúde Bahia, que foram alcançadas, ao contrário do que foi deixado pela gestão passada, e falou da construção das 13 novas unidades do Programa Saúde da Família (PSF), em Salvador, e de mais 250 nos 83 municípios mais pobres do estado. "Temos que ressaltar a aprovação, na Assembléia Legislativa, da lei que estabelece as condições para a criação das Fundações Estatais na área de saúde. Vamos fazer a Fundação para a Saúde da Família. Esta será mais uma ação importante para a reestruturação da Atenção Básica no estado, além de outras iniciativas como a criação de mecanismos de repasse de recursos do Fundo Estadual de Saúde para os Fundos Municipais, através dos quais repassamos mais de R$ 70 milhões para os municípios, e o curso de formação para os Agentes Comunitários de Saúde, onde temos hoje 4.500 ACS sendo formados", completou.
O secretário destacou alguns projetos inovadores como o Programa Medicamento em Casa, que está iniciando a fase de teste de campo, a inauguração de mais cinco lojas da Farmácia Popular do Brasil, na Bahia, e a primeira etapa da construção da primeira unidade de produção da Bahiafarma.
Investimentos na área farmacêutica
Na área da assistência farmacêutica da Sesab, Jorge Solla destacou o trabalho desenvolvido para regularizar o programa de medicamentos básicos no estado. Ele comparou os investimentos feitos com recursos do Tesouro Estadual do último ano da gestão passada, que foi de R$ 4.418,00 mil, com o primeiro ano desta gestão, que foi de quase R$ 14 milhões. "Estamos prevendo para o ano que vem um investimento de mais de R$ 20 milhões", disse.
Ele falou do fim da fila de espera para medicamentos utilizados no tratamento de hepatite, e da proposta de descentralizar o serviço de dispensação de medicamentos de alto custo para o interior do estado, dando assim mais conforto aos pacientes. Solla agradeceu o trabalho realizado pelo professor da UFBA e coordenador do grupo de estudos das hepatites, Raymundo Paraná, destacando a iniciativa dos mutirões para resgatar a longa lista de pacientes que aguardavam biópsia hepática no serviço público da Bahia. "Em seis meses foram realizados mais exames diagnósticos e iniciados mais tratamentos que nos últimos dois anos", afirmou.
Por fim, o secretário destacou o investimento na nova Bahiafarma e das Farmácias Populares do Brasil, que, em parceria entre a Sesab, o Ministério da Saúde e a Empresa Baiana de Alimentos - Ebal, já colocou em funcionamento cinco farmácias em Salvador e, em janeiro, vai inaugurar mais três. Até o fim de fevereiro, mais 17 unidades serão abertas nas lojas da Cesta do Povo do interior no estado.
Ações de Vigilância
O secretário destacou as ações da vigilância, lembrando que iniciou o ano combatendo um surto de sarampo e que, em 40 dias, foram vacinadas mais que o dobro do número de pessoas vacinadas durante todo o ano passado. Foi inaugurada a Coordenação Estadual de Vigilância das Emergências em Saúde Pública da Bahia (Cevesp), que teve atuação muito importante, principalmente, durante o surto de meningite viral em Salvador. "Superamos todas as metas de vacinação do estado e melhoramos a homogeneidade vacinal, cobrindo todos os municípios", disse.
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