Publicado em: 03/01/2008 - 15h31min
O grupo Alimentação, que no ano passado puxou para cima a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S), da Fundação Getúlio Vargas (FGV), também influenciou de modo particular as taxas registradas em Salvador (BA) e no Recife (PE).
No ano, as cidades acumularam variações de 5,38% e 4,94%, respectivamente. Acima, portanto, da média nacional do IPC-S: 4,60%.
Segundo o economista da entidade André Braz, em Recife e Salvador, a taxa de variação do grupo Alimentação subiu um pouco acima da média das outras capitais.
"Como alimentação, nessas cidades, tem um peso maior, a influência desses efeitos nas duas regiões foi um pouco mais forte. Com isso, a taxa de variação ficou acima da média”, disse. “Certos alimentos têm um peso maior na cesta de consumo das famílias nessas cidades. Então, mesmo com variações de preço muito próximas, o destaque na composição do índice é mais forte nessas duas regiões”.
O IPC-S Capitais, divulgado hoje (3) pela FGV, revela que três das sete capitais pesquisadas tiveram aumento nas taxas da semana encerrada em 31 de dezembro de 2007, quando o indicador ficou em 0,70%.
São elas: Recife, que passou de 0,93% na semana anterior para 1,14%; Salvador (de 1,03% para 1,12%) e Rio de Janeiro (de 0,48% para 0,58%).
A menor taxa foi registrada em Porto Alegre (RS): 0,26%, mostrando queda em relação à semana anterior (0,36%). “Porto Alegre antecipou alguns reajustes que outras cidades só captaram depois”, disse Braz.
Na média do acumulado do ano, o aumento dos alimentos nas sete capitais pesquisadas ficou próximo. As maiores altas foram em Recife (11,67%), Belo Horizonte (11,24%) e São Paulo (11,13%). As menores foram encontradas em Brasília (8,41%), Porto Alegre (9,47%), Rio de Janeiro (9,86%) e Salvador (10%).
Segundo o economista, o grupo Alimentação deverá continuar impactando a inflação em todas as capitais, embora haja uma tendência de desaceleração.
“Alimentação vai continuar sendo destaque, mas a variação não deve apresentar altas mais intensas. Ela deve continuar positiva, mas com decréscimo semana após a outra, porque os efeitos da entressafra da carne bovina começam a ceder. Isso abre espaço para uma redução na taxa de variação do grupo”.
Braz destacou, ainda, que as pressões nos preços dos alimentos in natura observadas até a primeira quinzena de dezembro já começaram a ceder. “É possível, então, que a taxa apresente desaceleração”.
Pelo que revelam as primeiras apurações de 2008, o economista avalia que a maior pressão será das mensalidades escolares.
“É um efeito que marca o mês de janeiro e fatalmente terá uma influência grande, porque a gente espera reajustes em torno de 10% a 12%”.
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