Publicado em: 28/12/2007 - 12h22min
Após o assassinato da ex-premiê paquistanesa Benazir Bhutto ontem (27), a possibilidade de guerra civil no país pode ter se intensificado. A avaliação é do especialista em Relações Internacionais e consultor do Ministério das Relações Exteriores, Ricardo Seitenfus.
“É uma situação extremamente delicada. Estamos assistindo, com esse assassinato, o fim de uma esperança de diálogo. Pode ser o início de uma guerra civil”, afirmou em entrevista à Rádio Nacional.
Seitenfus destacou que, do ponto de vista estratégico e das relações internacionais, o mundo pode ter retornado "à estaca zero”, já que os Estados Unidos haviam "apostado suas fichas" no atual presidente paquistanês, Pervez Musharraf.
“O assassinato de Benazir Bhutto, que seria uma espécie de acerto entre poder civil e militar, faz com que nós retornemos à estaca zero. Novamente, os Estados Unidos estão perante uma situação muito difícil, porque têm que apostar toda a sua estratégia em um ditador, um presidente pouco popular.”
Seitenfus lembrou que, pela proximidade geográfica com o Afeganistão, considerado eixo do terrorismo, o assassinato de Benazir Bhutto pode trazer consequências maiores para o mundo.
“Sem sombra de dúvidas, esse atentado demonstra a dificuldade de um diálogo em situações excepcionais entre oposição e situação. É uma luta sem quartel. Tanto que, agora, é impossível esse diálogo no Paquistão.”
Seitenfus traça um possível quadro político para o Paquistão, diante da proximidade das eleições parlamentares no próximo dia 8.
“A oposição agora se resumiu a Nawaz Sharif, que, provavelmente, vai recolher os votos da Bhutto e se transforme em líder da oposição”.
Entretanto, na avaliação de Seitenfus, o que marca o atual momento não é apenas o assassinato da ex-premiê, mas a situação de escalada da violência de rua, da oposição e da repressão no país.
“Esse é um problema sério, porque o Paquistão, instável, detentor da bomba nuclear, com os problemas de luta contra o terrorismo, é um elemento que vem conturbar ainda mais essa situação na região”, explicou o especialista.
Ao tentar vislumbrar um futuro para o país, Seitenfus acredita que, se mantidas as eleições, a ditadura de Musharraf deverá sair vencedora.
“Musharraf tem uma larga experiência e, provavelmente, muita responsabilidade no que aconteceu ontem, mesmo que não se possa ainda imputar isso às forças ligadas a ele. Ele tinha não somente o direito, mas a obrigação de conceder uma proteção devida à candidata da oposição, o que as forças sob seus comando não fizeram”, argumentou.
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