Produzir conhecimento e iniciativas práticas para a transformação social de uma das regiões com os piores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) do país: o Semi-árido baiano. Esse é um desafio que a Universidade do Estado da
Bahia (UNEB) assumiu e que começa a se concretizar com os projetos de extensão e pesquisa aprovados no edital temático da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da
Bahia (Fapesb).
Entre os 34 projetos selecionados, de um total de 140 inscritos por universidades públicas e particulares de todo o estado, a UNEB alcançou a expressiva marca de sete projetos selecionados para financiamento. O número corresponde a 20% do volume aprovado.
Com tal resultado, a UNEB dá um importante passo para se consolidar como uma das principais instituições de pesquisa e de programas de desenvolvimento social na região.
“As aprovações são um reflexo do nosso compromisso com o desenvolvimento social da
Bahia e também do desafio que a universidade assumiu junto ao governo estadual de se debruçar sobre as questões do Semi-árido”, avalia o reitor Lourisvaldo Valentim.
O Edital Temático de Apoio a Pesquisas voltadas para a melhoria das condições de vida da população no Semi-árido (Edital 006/2007) é uma realização da Fapesb em parceria com a Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) e com o Fundo Estadual de Erradicação e Combate à Pobreza (Funcep). O valor total dos recursos destinados aos projetos chega a R$3,4 milhões.
Entre os projetos da UNEB selecionados pelo edital, um foi apresentado pelo Campus VIII, em
Paulo Afonso, sob coordenação da professora Adilva Conceição. Outros cinco foram propostos pelo Campus III, em
Juazeiro coordenados pelos docentes Ana Rosa Peixoto, Carlos Alberto Aragão, Claudio Mistura, Fernando Antonio Mendonça e Kátia Siqueira. O sétimo projeto contemplado foi apresentado em parceria entre o Campus III e o Campus XXII, em
Euclides da Cunha, sob a coordenação de Manoel Abílio de Queiroz e Luiz Paulo Neiva.
Canudos: desenvolvimento sustentável
A parceria entre os campi III e XXII da UNEB representa um amplo projeto de desenvolvimento social integrado no município de
Canudos e mais sete cidades vizinhas. A proposta é realizar pesquisas e intervenções inovadoras sobre aspectos e problemas econômicos, sociais, ambientais, históricos e culturais da região.
O trabalho reúne também uma equipe multidisciplinar de professores e pesquisadores do Campus XIV, em
Conceição do Coité, do Campus I, em
Salvador, e de outras instituições de ensino e pesquisa, a exemplo das universidades federais da
Bahia (Ufba), do Recôncavo da
Bahia (Ufrb), e de São Carlos (UFSCar), em São Paulo.
A iniciativa será coordenada pelo docente Manoel Abílio de Queiroz, que também responde pelo Programa de Pós-Graduação em Horticultura Irrigada do Campus III, juntamente com o professor Luiz Paulo Neiva, assessor-chefe da Assessoria Técnica da UNEB (Astec).
Segundo Luiz Paulo Neiva, a proposta é agir de forma integrada sobre diversas esferas da vida social na região. “Além de pesquisar ações alternativas para os problemas locais, temos um plano de ações que engloba desde atividades econômicas, como a produção pesqueira e o turismo sustentável, até a preservação do bioma da caatinga e a valorização da memória e história da região”, explica.
A verba solicitada no edital foi de R$100 mil para execução do projeto em dois anos, mas a expectativa dos coordenadores é que o volume de recursos seja ampliado com as parcerias já firmadas com as secretarias estaduais do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh) e de Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza (Sedes). Os acordos permitirão o financiamento das ações de desdobramentos do projeto inicial, expandido a meta inicial.
Projetos e benefícios
Entre os projetos da UNEB para o Semi-árido, também está a proposta de estudo e preservação da biodiversidade da Área de Proteção Ambiental (APA) Serra Branca, no município de
Jeremoabo. O objetivo é estudar a fauna, flora e as relações de etnoecologia da região.
A iniciativa foi apresentada pela professora do Campus VIII, em
Paulo Afonso, Adilva Conceição, e conta com uma equipe multidisciplinar composta por professores e pesquisadores dos campi da universidade em
Senhor do Bonfim,
Caetité e
Salvador.
“O projeto tem uma importância grande para a região, que é extremamente carente e onde não se tem registros de estudos sobre o patrimônio ecológico. Sem esse conhecimento não é possível pensar o desenvolvimento da região e a melhoria da qualidade de vida dos moradores”, avalia Adilva.
Na opinião da coordenadora, a relevância social dos projetos apresentados pela universidade foi um dos principais fatores para a aprovação pela Fapesb. Luiz Paulo Neiva concorda: “A aprovação indica que a universidade se capacitou tecnicamente para elaborar, apresentar e competir nesses editais”, analisa.
Ambos os docentes destacam que, para a UNEB, os benefícios da aprovação são diversos. O aporte de verbas é um deles, mas não é o mais importante, destaca Luiz Paulo. “A seleção desses sete projetos é um reconhecimento à qualidade do trabalho produzido aqui”, conclui.