Publicado em: 12/12/2007 - 12h03min
Orçada em R$ 2,5 bilhões e projetada para ligar o litoral ao oeste da Bahia, a Ferrovia da Integração Oeste/Leste foi tema de reunião, ontem (11), entre o secretário do Planejamento, Ronald Lobato, e um grupo de representantes de associações de produtores do oeste do estado.
O interesse dos empresários do agronegócio se justifica pela relevância do equipamento para o escoamento da produção agroindustrial da região, que na safra 2006/2007 produziu cerca de 5 milhões de toneladas de grãos.
“Temos deficiências de infra-estrutura e essa ferrovia vai viabilizar o desenvolvimento da região, que já se encontra em franca expansão”, afirmou o presidente da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), Humberto Santa Cruz Filho, segundo o qual a produção estimada para a safra 2007/2008 é superior a 6 milhões de toneladas de grãos, “mas a região tem potencial para produzir cerca de 10 milhões de toneladas de grãos/ano”.
Para Lobato, a ferrovia é um sonho antigo que vai proporcionar a integração da Bahia com o Oeste brasileiro e no futuro poderá chegar ao Oceano Pacífico, no Peru. “O Brasil é um país com a logística deteriorada, e a Bahia tem condições privilegiadas para oferecer alternativas econômicas”, declarou. Ele disse que, junto com a Norte/Sul e a Transnordestina, o estado passará a oferecer ao Oeste brasileiro condições de escoar sua safra e importar os insumos de que precisa.
A Oeste/Leste terá recursos dos governos federal e estadual e será uma ferrovia especializada em granéis, sendo a predominância de grãos, minérios e biocombustíveis produzidos nas regiões oeste, sudoeste e sul da Bahia.
Já para importação, beneficiará o escoamento de fertilizantes e derivados de petróleo do litoral até o oeste do estado. Com a construção da ferrovia, devem ser gerados mais de 10 mil empregos.
Agricultura de subsistência
O oeste da Bahia é composto por duas áreas de características fundiárias distintas: o vale e o cerrado. A região do vale margeia o Rio Grande e tem topografia variada, com predominância da agricultura de subsistência. As atividades mais tradicionais são mandioca, milho, arroz, feijão e pecuária.
No cerrado, área plana e, portanto, favorável à mecanização, desenvolveu-se o principal pólo agrícola da Bahia, onde se destaca um perfil produtivo de agricultura empresarial e intensiva, com foco nos agronegócios da soja, algodão, milho e café.
Além da Aiba, os produtores do oeste foram representados pela Associação Baiana de Produtores de Algodão (Abapa) e pelo Fundo para o Desenvolvimento do Agronegócio do Algodão (Fundeagro).
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