Publicado em: 08/12/2007 - 00h20min
Enquanto o parceiro ideal não chega, cada vez mais mulheres estão aderindo a uma prática que já foi exclusiva dos homens: o sexo casual. Se a prática era natural apenas para os homens até algum tempo atrás, agora elas também podem dormir com quem, quando e do jeito que quiserem. Satisfação por uma noite apenas sem se prender a convenções que impeçam de viver novas experiências. Tudo sem se preocupar com o envolvimento afetivo.
Com o perfil mais desinibido, essas mulheres modernas, cansadas de buscar no sexo oposto uma relação estável, se libertam do preconceito e procuram parceiros sem a exigência de um compromisso sério, quando o assunto é sexo.
Renata Oliveira, 34 anos, diz que cansou de procurar alguém para assumir um relacionamento. Segundo ela, os homens não querem compromisso. “Hoje busco minha satisfação sem exigir nada deles. O bom é que cada dia experimento novas coisas. Aprendi a lidar com isso e procuro tirar o melhor proveito”, afirma.
Para gerações mais veteranas é difícil acreditar que isso aconteça com tanta naturalidade, sem corações partidos nem a auto-estima ferida. Para alguns especialistas, a adesão feminina ao sexo casual provavelmente foi impulsionada pela prática de “ficar”, um relacionamento que cresceu vertiginosamente nos anos 90. O ficar é um encontro de um dia ou uma noite que pode ir de uma simples troca de beijos a uma relação sexual.
A vantagem desse tipo de parceria é a baixa expectativa. A desvantagem é o vai-e-vem que pode gerar um relacionamento mal resolvido. Para muitas pessoas, o mais importante nesse tipo de relação é a atração física, o que corresponde a um número significativo de mulheres que fazem sexo no primeiro encontro. Mas o preconceito existe e muitas delas ainda são vistas de forma promíscua.
O antropólogo Raimundo Celestino atribui esse fator ao desejo que as mulheres têm na igualdade entre os sexos. “No universo feminino isso é uma proposta, mas que precisa delimitar o que visa tal prática, pois o descartável já reina demais e não tem trazido resultados tão satisfatórios para a realidade humana”, argumenta Celestino.
Há, ainda, aquelas que possuem os chamados “amigos de manutenção”, rapazes conhecidos ou amigos com quem mantém relações sexuais apenas quando ambos têm vontade. Rafaela Brito (nome fictício a pedido da entrevistada) é uma adepta dessa nova “modalidade de relacionamento”. Para ela, esse tipo de relação é mais segura: “Tenho um amigo que eu procuro quando preciso me satisfazer e ele também faz o mesmo. Assim é melhor do que sair com um desconhecido”, diz.
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