Publicado em: 06/12/2007 - 18h48min
Como os fatores socioeconômicos, culturais e ambientais causam impacto sobre a saúde da população negra. Esta temática foi apresentada pelo pesquisador, doutor Jairnilson Paim, do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia (UFBa), hoje (dia 6), no Seminário Internacional de Saúde da População Negra. O evento foi aberto pela coordenadora nacional de doença falciforme do Ministério da Saúde, Joice Aragão. Com o tema "Saúde da população negra de Salvador: uma questão de equidade", o seminário termina amanhã (dia 7), no Sol Barra Hotel, no Porto da Barra, das 8 às 19 horas.
O secretário municipal da Saúde, Carlos Alberto Trindade, salientou a importância de trabalhar o direito à saúde. Ele destacou a experiência de Salvador nesta área, onde já foram investidos R$ 5 milhões, em parceria com o Ministério da Saúde (MS). "Apesar de já estar assegurado na Constituição Federal, estamos reconhecendo o significado de atender aos segmentos específicos, como é o caso da atenção à anemia falciforme, doença característica da população negra e de maioria em Salvador", afirmou.
Salvador é pioneira na implantação de uma política de saúde específica de combate à anemia falciforme e foi escolhida pelo ministério para iniciar esta política, porque tem altos índices. Uma em cada 650 nascidas na cidade tem a doença, como informa Joice Aragão. "É uma questão de saúde pública. Estamos atendendo à Portaria 1391/2005 do ministério que pede atenção à situação. Primeiro trabalharemos a anemia falciforme, cuja situação é urgente e depois estenderemos a atenção às demais doenças características da população negra", garantiu a coordenadora.
Influências do meio
Durante o painel "Saúde da população negra: um desafio para a equidade", doutor Jairnilson Paim fez uma explanação sobre os fatores socioeconômicos, culturais e ambientais que influenciam na qualidade de vida da população negra. Os determinantes foram estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Brasil foi o primeiro país a criar uma comissão para implantação deste tipo de política, informa o pesquisador da UFBa.
"Não podemos analisar apenas a doença em si. Os determinantes sociais têm um impacto sobre a saúde. Os negros perdem para os brancos em termos de qualidade de saúde. Eles só ganham quando a questão é o desemprego", concluiu Paim. Para ele, as diferenças começam já no nascimento, com altas taxas de mortalidade manifestadas na população negra. Os dados apresentados por ele ressaltam a área do Subúrbio Ferroviário com estas características, como também de alta mortalidade por homicídios.
O pesquisador ressaltou, porém, que estas características mudam quando há uma interferência cultural, por exemplo, como é o caso do Curuzu, no bairro da Liberdade, que apesar de estar cercado por áreas onde as pessoas sofrem violência, não apresenta tais características, pois há uma rede social que protege os moradores. Os dados do pesquisador estão baseados na tese de mestrado da pesquisadora Edna Araújo sobre o tema.
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