Caminhada em apoio à greve de fome de bispo reúne 5 mil pessoas

Publicado em: 05/12/2007 - 14h18min

“Quem está aqui veio ver o profeta, o novo Padre Cícero que o Senhor enviou para todos nós e para o Semi-árido". Com essa frase, o bispo de Goiás, dom Thomáz Balduíno, iniciou sua fala em frente à Capela de São Francisco, em Sobradinho, Norte da Bahia, ontem, durante ato público contra a transposição do rio São Francisco e em apoio à decisão do bispo Dom Luiz Cappio, que está em greve de fome há oito dias contra o projeto do Governo Federal.

Caravanas de municípios vizinhos como Juazeiro, Casa Nova, Remanso, Sento Sé, Campo Alegre de Lourdes, Curaçá, Rodelas, Paulo Afonso, Irecê e outros estados como Ceará, Pernambuco, Alagoas e Mato Grosso chegam todos os dias ao local. A caminhada saiu da Capela em direção às ruas da cidade levando um grande número de pessoas, estimado pela Polícia Militar em 5 mil pessoas. Aqueles que não estavam em caminhada, esperavam ao longo do caminho fazendo um cordão de proteção. Num carro que seguia à frente, Dom Cappio seguiu acompanhado de perto pela família e integrantes da Comissão Pastoral da Terra (CPT), que protegiam o veículo. Num altar improvisado num palco em meio a várias barracas no local que é a área de lazer da comunidade, o bispo celebrou uma missa campal.

Também ontem, o arcebispo de Salvador e primaz do Brasil, dom Geraldo Majella Agnelo, pediu o fim da greve de fome do bispo. Acompanhado do presidente da Regional 3 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Ceslau Stanulla, e do bispo auxiliar de Salvador, João Carlos Petrini, dom Geraldo esteve em Sobradinho e conversou a portas fechadas com o frei franciscano, que faz greve de fome contra o projeto de transpor as águas do Rio São Francisco.

Também estiveram presentes os bispos dom Tomás Balduíno e dom Eugênio Rixen, que acompanham o período de “jejum e oração”. No encontro, o arcebispo entregou uma carta da Regional 3 da CNBB que se solidariza com a causa de dom Cappio, mas critica a atitude do religioso, que fere os princípios da Igreja Católica. Para dom Ceslau Stanulla, que também é bispo de Itabuna, o jejum de protesto “é extremo”. “Greve de fome eu não apoiaria nunca”, disse. Ao final da reunião, o arcebispo disse ter deixado a cargo da consciência de dom Cappio a manutenção ou não do jejum.

Fonte: Maria Lina / Agência Nordeste

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Transposição do Rio São Francisco, Barra, Sobradinho

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